Cientistas testaram 4 dietas diferentes em células de câncer de mama — uma delas acelerou o crescimento do tumor

Tantos os efeitos benéficos quanto os prejudiciais da dieta na saúde estão bem documentados pela comunidade científica, desde o aumento da longevidade até o efeito contrário e a deterioração do metabolismo.

Além dos estudos mostrando como hábitos alimentares também podem influenciar no desenvolvimento de câncer, agora, uma nova pesquisa descobriu que uma forma específica de alimentação pode acelerar o crescimento de tumores de câncer de mama.

Os casos de câncer estão aumentando em taxas alarmantes, especialmente entre os mais jovens — e isso pode muito bem haver uma ligação entre dieta e doença.

Um estudo publicado no periódico APL Bioengineering testou quatro dietas: rica em insulina (consumir muitos alimentos que fazem o corpo produzir muita insulina), rica em glicose, rica em cetonas (alimentação com pouquíssimo carboidrato, proteína moderada e bastante gordura) e rica em gordura — em células de câncer de mama triplo-negativo, um tipo de câncer difícil de tratar com os métodos convencionais.

Após desenvolver modelos tumorais para analisar os efeitos bioquímicos dos nutrientes dos alimentos, os pesquisadores descobriram que uma dieta rica em gordura acelerava o crescimento e a invasão tumoral.

Os alimentos com alto teor de gordura também causaram um aumento da enzima MMP1, que degrada a estrutura celular e está associada a um prognóstico desfavorável da doença.

Ao construir tumores idênticos e recriar um ambiente realista – como se fosse em uma pessoa – , a equipe conseguiu isolar nutrientes específicos e seus efeitos na estrutura, crescimento e disseminação das células cancerígenas.

Embora estudos anteriores tenham analisado a relação entre dieta e câncer, eles não levaram em consideração como sistemas interconectados, como o sistema imunológico, o metabolismo e o microbioma, podem afetar o comportamento das células cancerígenas.

Um outro estudo, realizado pela Stanford Medicine, destaca a importância da fibra alimentar, pois ela pode reduzir o risco de câncer ao alterar a atividade dos genes. Onde estudos anteriores também não conseguiram replicar o fluxo de nutrientes ao redor das células.

No entanto, os pesquisadores conseguiram resolver esse problema usando um meio semelhante ao plasma humano para recriar o microambiente das células no corpo, planejando usar as descobertas em pesquisas futuras para outros tipos de câncer.

“Planejamos usar o mesmo sistema para determinar se os tumores respondem de forma diferente à quimioterapia quando cultivados em meios que simulam as diferentes condições alimentares”, disse a autora do estudo, Celeste M. Nelson, em um comunicado à imprensa.

“Isso permitiria que os médicos potencialmente fizessem recomendações sobre o que um paciente deveria comer caso lhe fosse prescrita uma terapia específica”, acrescentou ela.

Embora sejam cada vez mais comuns, as dietas ricas em gordura apresentam uma série de desvantagens, incluindo ganho de peso, alterações físicas no fígado e aumento do risco de câncer.

O estudo ainda revelou que mesmo apenas dois dias de aumento na ingestão de alimentos ricos em gordura podem comprometer células imunológicas essenciais no intestino e enfraquecer a barreira intestinal.

Desta forma, com tanta influencia nos meios digitais com dietas da moda – que em alguns casos pode gerar benefício à saúde -, é sempre melhor consultar um especialista atualizado antes de fazer qualquer alteração na sua alimentação, que será adequado para a sua situação atual.

Imagem de Capa: Canva





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