Você reconhece esta estrela de Hollywood? Aos 72 anos, ela pediu à revista que deixasse suas rugas nas fotos
Imagem de reprodução.

Você reconhece a jovem do retrato? Antes dos 30 anos, ela já tinha trabalhado no cinema britânico, em Hollywood e na França. Quem a descobriu nas telas dos anos 1970 talvez se lembre de uma atriz dividindo o set com Jean-Pierre Léaud, sob a direção de François Truffaut.

Décadas depois, uma entrevistadora perguntou o que ela tinha achado das fotos de um ensaio. A atriz gostou do que viu e fez um pedido sobre a edição das imagens. Quis até receber um exemplar da revista para conferir o resultado.

Ela tinha 72 anos quando deu essa entrevista, em 2016. Outra fotografia, de maio de 2026, registra um momento bem diferente: a atriz já passara dos 80 e recebia um prêmio pela carreira, na Espanha.

Estamos falando de Jacqueline Bisset. Nascida em 13 de setembro de 1944, em Weybridge, na Inglaterra, a atriz completou 82 anos em setembro de 2026. A data está registrada no perfil dos Golden Globes.

O pedido para que não apagassem suas rugas

Em uma entrevista à S Moda, publicada em novembro de 2016, Bisset falou sobre as fotografias feitas para a revista. Aos 72 anos, afirmou, em tradução: “Tenho rugas e pedi que não as apaguem.”

O ensaio de 2016, fotografado por Greg Lotus, pode ser visto junto à conversa publicada em 22 de novembro. Ao pedir uma cópia da revista, Bisset queria ver se as marcas que reconhecia no espelho tinham chegado também à página impressa.

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Jacqueline Bisset em Cannes, em 26 de maio de 2017, meses depois do ensaio da revista. Foto: Georges Biard, CC BY-SA 3.0.

Essa discussão também aparece na reflexão de Taís Araujo sobre a ideia de envelhecer sem ter como objetivo parecer eternamente ter 25 anos. Cada experiência é diferente, mas ambas ajudam a ampliar a conversa sobre beleza.

Uma carreira que merece ser lembrada pelos papéis

Bisset atuou em A Noite Americana (1973), de Truffaut, Ricas e Famosas (1981), de Cukor, e À Sombra do Vulcão (1984), de Huston. Também integrou o elenco de La Cérémonie (1995), de Claude Chabrol. A variedade desses trabalhos ajuda a perceber por que um retrato isolado conta apenas uma parte de sua história.

Em 2014, aos 69 anos, ganhou o Globo de Ouro de atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para televisão por Dancing on the Edge. O registro oficial reúne cinco indicações e uma vitória. A primeira indicação havia chegado em 1969, por The Sweet Ride.

Por que ela se interessou por uma personagem imperfeita

Em Loren & Rose, filme de 2022 dirigido por Russell Brown, Bisset interpreta uma atriz veterana que desenvolve uma amizade com um jovem cineasta, vivido por Kelly Blatz. A relação entre os dois envolve trabalho, perdas e diferentes maneiras de olhar para a arte.

Ao falar ao Moviefone, em junho de 2023, ela explicou que apreciava os defeitos e as contradições de Rose. Também destacou sua afinidade com projetos independentes e autorais, nos quais encontra personagens que a interessam.

Há algo revelador nessa escolha profissional: uma atriz lembrada tantas vezes pela aparência se entusiasma com uma mulher que não precisa ser impecável. No filme, a maturidade permite explorar conflitos e trocas entre gerações, em vez de servir apenas como comparação com o passado.

O reconhecimento continuou em 2026

Em 1º de maio de 2026, ainda aos 81 anos, no encerramento do Saraqusta Film Festival, em Zaragoza, na Espanha, Bisset recebeu o Dragão de Ouro em homenagem à carreira. Segundo a organização, foi aplaudida de pé na cerimônia.

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Bisset recebe o Dragão de Ouro em Zaragoza, em maio de 2026. Foto de divulgação do Saraqusta Film Festival.

Em entrevista ao El País, publicada em maio daquele ano, afirmou que continuava procurando papéis profundos, interessantes e difíceis. Explicou que gosta de se fazer perguntas enquanto interpreta e de encontrar respostas no trabalho.

A beleza não precisa ser uma disputa com a idade

Olhar para essa trajetória permite reconhecer a jovem da fotografia sem transformar aquela aparência em uma obrigação para o resto da vida. Também evita trocar uma cobrança por outra: cada mulher deve poder escolher como cuidar da própria imagem, sem precisar provar que envelheceu da maneira “certa”.

Quando Helen Mirren questiona a ideia de que mulheres mais velhas não deveriam usar cabelos compridos, o assunto é semelhante: quem estabelece essas regras e por que elas precisam limitar escolhas pessoais?

Aos 82 anos, Bisset tem duas lembranças bem diferentes desses encontros com a imprensa. Em 2016, queria conferir a própria imagem nas páginas da revista. Em Zaragoza, dez anos depois, falava dos papéis difíceis que ainda desejava encontrar.