No mundo em que vivemos hoje, não são só pessoas do gênero feminino que possuem a capacidade de gerar vida. E para tornar a linguagem mais inclusiva e adaptada para a atual realidade, uma pesquisa realizada pela “Academy of Breastfeeding Medicine” mostrou que a designação “mãe” deveria ser substituída pela expressão “pessoa lactante”.

Entretanto, depois de algum tempo dessa expressão ser utilizada, surgiu um indicador que essa mudança na verdade pode ser prejudicial.

Substituir as palavras “mãe” e “amamentação” pela linguagem neutra como “gestante” e “pais lactantes” foi apontado nas pesquisas como risco de desumanizar as mulheres e prejudicaria décadas de trabalho para melhorar a visibilidade das mulheres na literatura médica.

Pesquisadores da saúde da mulher da Austrália, Estados Unidos, Europa e Ásia, argumentaram que a remoção da palavra “mulheres” da literatura e da informação sobre maternidade pode prejudicar a proteção do vínculo mãe-filho.

Os autores do estudo reconhecem que as terminologias estão mudando para garantir a inclusão de todos que dão à luz, mas não se identificam como mulheres, mas que não concordam com a exclusão de referência à mulher, em relação ao sexo das mães, em pesquisas e informações médicas.

“Dessexar a linguagem da reprodução feminina foi feita com o objetivo de ser sensível às necessidades individuais e benéfica, gentil e inclusiva”, escrevem no artigo. “No entanto, essa gentileza trouxe consequências não intencionais que têm sérias implicações para mulheres e crianças.”

Os governos e instituições estão buscando a forma de abordar a terminologia de gênero. Uma publicação no The Sydney Morning Herald mostrou que na vacinação contra a COVID-19 em mulheres grávidas e lactantes da Austrália, o termo “mulheres” foi removido, porém acrescentou erros na precisão científica do material no processo.

Foi comparado a gravidade da doença em mulheres grávidas com mulheres não grávidas, mas quando o departamento removeu a palavra “mulheres”, comparou “pessoas grávidas” com “pessoas não grávidas”, alterando o significado para incluir incorretamente os homens.

Uma coautora do artigo e ex-presidente do Australian College of Midwives, Jenny Gamble, que é professora de obstetrícia do Centro de Excelência em Cuidados da Universidade de Coventry e dos hospitais universitários de Coventry e Warwickshire, com sede no Reino Unido, disse que a linguagem baseada no gênero “é importante devido à opressão baseada no sexo”.

“Confundir a ideia de identidade de gênero e a realidade do sexo traz consequências adversas à saúde e uma discriminação mais profunda e insidiosa contra as mulheres”, disse ela. “Sexo [uma categoria reprodutiva], gênero [um papel social] e identidade de gênero [um senso interior de si mesmo] não são sinônimos, mas estão sendo tratados como se fossem.”

A defensora e cofundadora da Transgender Victoria, Sally Goldner, disse que é possível representar todas as pessoas que dão à luz e amamentam bebês sem apagar o termo mulheres – ou mãe.

“Acho que existem maneiras de fazer isso e incluir todos, e tornar [as informações] abrangentes, acessíveis e inclusivas”, disse ela.

Teddy Cook, da ACON, a maior organização de saúde LGBTQ da Austrália , disse: “Enquanto a linguagem está mudando ou surgindo, o que estamos realmente fazendo é dar passos corajosos para ser inclusivos e afirmar com populações altamente marginalizadas, altamente vulneráveis e carregando um fardo. de saúde precária que ninguém neste país merece”.

Imagem de Capa: Ananass no Adobe Stock

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