Judas é a maior prova de que, ao final das contas, o que faz um ser humano do bem é seu próprio caráter e não suas crenças. Ele foi protegido por Jesus que lhe ofereceu orientação, auxílio e colocou-o entre os doze apóstolos. Mesmo assim, Judas jamais acreditou que Jesus era um messias de amor na Terra, e o traiu. Ou seja, não importa a sua religião. Se a sua atitude e seu caráter não promovem o bem, tanto faz a igreja que você frequenta. O poder palavra divina só toca corações férteis para a dádiva do amor ao próximo. A religião encaminha muita gente para o melhor da vida e do ser humano, salva muitos descrentes de caminhos tortos e escuros, opera milagres nas almas necessidades, mas só é capaz de fazer isso, porque dentro do coração desses seres que cedem para o bem, existe uma fagulha celestial.

Judas não seguiu Jesus por seu divino amor pela humanidade, mas porque entendia que as pessoas mais importantes estavam ao lado do Filho de Deus. Ele aproximou-se por interesse e ganância. Pelas oportunidades e benefícios que teria ao lado daquele que todos acreditavam ser Deus na Terra. Judas acreditava que Jesus acabaria com a ocupação Romana e, assim, poderia galgar status diante do domínio sobre Israel, mas Jesus não tinha ambição por poder e, por isso, tal enfrentamento nunca aconteceu. Talvez, esse desapontamento tenha motivado a traição do apóstolo.

“Uma igreja nunca será maior que o livre-arbítrio dos homens (…)”

Judas foi recebido no amor de Jesus, mas foi incapaz de ser tocado por ele. Manteve seu coração seco de bondade e cheio de ambição. E isso nos mostra que o papel de uma religião tem um limite. Uma igreja nunca será maior que o livre-arbítrio dos homens, pois, se não há realmente uma mudança positiva da índole, uma redenção ao altruísmo e à caridade, se não é possível amar a humanidade e zelar pelo bem comum, a religião não surtirá nenhum efeito sobre essa vida, que se assemelhará a um Judas que leva sua presença ao culto ou à missa, mas deixa o coração em casa, no congelador, porque de fato não pretende aquecer os carentes de compaixão.

Judas era um falso seguidor de Jesus. Participava da vida do Messias, fazia juras aos seus valores, mas o sentimento que carregava no peito era o do oportunismo. Ele acabou entregando Jesus para o caminho da crucificação. Por isso, uma pessoa pode não fazer parte de nenhuma igreja e, mesmo assim, ser valorosa para o mundo encontrando redenção no plano de Deus, simplesmente, porque é do bem, quer bem e faz bem aos outros, enquanto algum religioso pode se dizer o mais santo do mundo, o que mais crê em Jesus, pode ser um exímio crente, pregar a palavra como ninguém e fora da igreja e dentro do seu coração ser egoísta, ambicioso e negativo passando por cima de quem quer que seja em função das suas vontades e desejos.

“Esse tipo de gente pode até enganar você e a sociedade, mas para Jesus que tudo vê, não passará de um hipócrita (…)”

Quem trai a vida, o amor ao próximo, o altruísmo, a caridade sendo individualista e maquiavélico é um representante de Judas nos dias de hoje. Esse tipo de gente pode até enganar você e a sociedade, mas para Jesus que tudo vê, não passará de um hipócrita, que terá em retorno a mesma intensidade do seu desamor, construindo um fim doloroso para sua vida, enquanto aquele que sofre suas injustiças e traições será acolhido nos braços de Deus.

O Filho do Homem tem de morrer porque isso faz parte do plano de Deus. Mas ai daquele que me trairá!” – Por Jesus Cristo em Lucas 22:22

Nenhuma religião é capaz de criar o amor de Cristo em alguém. Ela apenas acende a fagulha divina que já existe dentro da gente, apesar do coração confuso. Porque generosidade não vem da igreja, vem da alma. Portanto, abra seu coração para o bem, independente da sua religião, pois é só o amor que glorifica a alma e salva o mundo…

Por: Luciano Cazz

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Luciano Cazz
Ator e escritor. Autor do livro "A tempestade depois do arco-íris"e do blog Inspirando Luz.