A autossabotagem é uma das formas mais sorrateiras e comuns de tornar nossa própria vida mais difícil. Racionalizamos certas atitudes e, com isso, acabamos encontrando uma razão justificável para certos comportamentos que, na verdade, nem sempre são autênticos, apenas disfarçam a nossa falta de autoestima e ocultam um perigoso objetivo totalmente inconsciente: fazer mal a si mesmo.

Por quê? Porque em algum momento da nossa vida, provavelmente, na nossa infância, aprendemos a nos desvalorizar. Pode ser falta de amor, de atenção, ou de validação dos nossos atos pelas pessoas que amamos, fazendo com que acreditemos em limitações que, na verdade, nunca existiram.

Quem se autoboicota está trabalhando pela sua própria derrota, mesmo quando a intenção consciente é de conquista.

A pessoa introjeta que não presta, mas a vida o torna um ser com uma alma linda, inteligente e muito capaz, então, para fazer jus a toda descrença que tem de si mesmo, adota um comportamento autodestrutivo para contradizer todas as qualidades que de fato tem.

Crescer em um ambiente sem amor pode nos custar a autoestima e criar um exímio autossabotador. Alguns acontecimentos também derrubam nossa autoconfiança. Como consequência, mesmo que nosso coração seja enorme, a gente vive agindo mal em relação aos outros e colhendo todo desafeto que injustamente acreditamos merecer. Então, infelizmente, quando percebemos que tudo vai bem, nosso subconsciente começa a agir como o vilão de nós mesmos criando planos inconscientes para que a harmonia e a estabilidade em nossa vida sejam substituídos por muita confusão e prejuízos desnecessários através de atitudes ora pequenas, ora antissociais que não combinam em nada com a grandeza da nossa alma. E os sentimentos de frustração e raiva também potencializam o comportamento autossabotador.

Se você se sente culpado ou angustiado depois de ter certa atitude, provavelmente é porque foi contra aos seus princípios ou aquilo que verdadeiramente você deseja, e isso é um boicote. A culpa e a angústia são formas que você mesmo tem de dizer a si próprio que precisa se amar.

A bem da verdade, toda situação de autoboicote, mesmo que de comportamento, passa antes por uma escolha. Então, quando escolher, seja o que for, tire um momento para refletir e conecte-se com o seu verdadeiro “eu”. Esqueça o que as pessoas lhe disseram, todo mal que lhe fizeram ou o amor que nunca foi recebido. Você não tem culpa. Não permita que seu inconsciente o coloque em uma cilada fazendo com que sua frágil autoestima traia sua natureza. Você tem todo o direito de ser uma pessoa incrível que leva maravilhas para a vida dos outros.

Acredite que você merece tudo de bom que existe na sua vida e, ainda, pode atrair muito mais.

Portanto, perdoe-se por seus erros, aceite que você pode ser feliz mesmo com seus defeitos. A imperfeição pode ser lindamente suficiente. Leve sua atenção para as incríveis qualidades que você tem. Corra riscos saudáveis. Não antecipe a derrota com medo de não ser capaz de vencer, fazendo da sua prostração um subterfúgio da frustração da derrota. Perder faz parte, mas entenda que a dor nem sempre precisa fazer parte da sua vida. Diga sim à felicidade. E caso não consiga aprender a se amar sozinho, busque ajuda. De amigos, família, um profissional ou medite para encontrar-se com a maravilhosa pessoa que você é. E assim substituirá autossabotagem por autocontrole.

Porque não vale a pena dedicar uma vida a destruir a si mesmo. Pelo contrário. Saia da frente do seu próprio caminho. Descubra seu valor e tome o controle da sua vida. Você foi criado por uma natureza perfeita, por isso é incrível. A única coisa que lhe falta, é acreditar nisso.

Por: Luciano Cazz

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Luciano Cazz
Ator e escritor. Autor do livro "A tempestade depois do arco-íris"e do blog Inspirando Luz.