Das coisas mais maravilhosas que tenho para fazer na vida é sentir-te a dormir. O teu cheiro! O cheiro da tua pele, não sei se é doce se é da colônia que usas, ou do gel de banho de uma marca qualquer. Sei que é divinal e único. A tua respiração também tem qualquer coisa de especial.

Dar-te a mão enquanto não consigo adormecer, virares-te e abraçares-me sem pedir autorização, e sem anunciares a que horas será isso. Mudares de posição e pores-me a mão no rabo, porque ele é teu e de mais ninguém. E quando vens para cima de mim ou me agarras, e o meu corpo fica dormente contra o colchão, porque não temos bem o mesmo peso. Mas sabe tão bem…

Também achas que a cama só chega para ti, dormir com espaço nem é sequer sinónimo de dormir contigo.

O calor dos teus braços tem algo de brilhante. Reconfortam tanto que tu nem imaginas. Amparas-me e amor é isto. É enroscar os meus pés nos teus, e é ver que dormes com a cara de certas maneiras e achar piada. Ver que aguentas muito menos tempo que eu acordado e respeitar, porque afinal esta é das melhores coisas que tenho para fazer.
E tento conversar contigo depois disso, e tu só respondes “hunhun” e eu rio-me porque no desespero da vida perco tempo de ti a dar tempo aos demais. Ainda tento conversar mas tu nem me ouves, só finges responder e eu acho graça ao esforço de uma resposta que não passa de um balbuciar de sei lá o quê. Perco vida de ti para outras pessoas me consumirem. Está tão errado mas os dias não esticam, as horas não chegam. As horas nunca chegam quando se trata de amor. É injusto perder-se tanto tempo com o que não se quer e ansiar-se ter todo o tempo do mundo com quem partilhamos o pote das escovas de dentes da casa de banho.

Um objecto que mais simboliza o amor é uma escova de dentes, perdoem-me e permitam-me o ridículo. Qual aliança, e camisolas que dizem ”king and queen”… “Esta escova fica lá em casa.” “Tenho de comprar uma escova para deixar aqui.” Isso é sinal que voltas e pensas ficar, e que também tenho direito a usar o teu espaço. Não há nada mais simples e complexo do que um amor e uma escova de dentes. Não há amor sem uma escova de dentes. O meu pote tem duas escovas e é assim que acaba a solidão. Primeiro fica a escova e depois há de ficar o resto. Uma peça de roupa. Um ou outro objecto mais. É um coração inteiro! Sei que nós ficamos, porque em tanta milionésima de coisas incertas, essa é a sério.

“Beijar com amor é beijar com alma.”

E embirramos por causa das mantas, dos lençóis, dos cobertores! Ora mos tiras, ora tos tiro. Ora se desprendem dos pés da cama e se enrolam, e eu não gosto de sentir que a cama está mal feita. Às vezes lá te levantas para ajeitares porque senão reclamo.
Amor é sorrir por te ver dormir. Amor é sentir um sorriso a esboçar-se por estar deitada do teu lado. Amor é quando me agarras na nuca com um ar atrevido e brincalhão e me beijas a boca com diversão. Amor é quando me fazes isso enquanto outras tantas coisas mais acontecem simultaneamente. Beijar com amor é beijar com alma. Beija-me com alma, porra!

Se algum dia não conseguir fazer isto, a vida vira um caos. Ela já é um rodopio e contigo acalma por umas horas. A vida é tão difícil lá fora, e tão fácil nesta cama mal feita, e eu não posso deixar de sorrir nas noites que consigo assistir à beleza de te ver dormir.

Aceitas os meus tornados e mal sabem eles o furacão que és. Aceitas os meus vendavais e mal sabem eles a ventania que fazes em nós.

Acaricio-te a face, dou-te beijos nos ombros. E sei que te amo. É assim que eu sei que te amo.

Por: Marta Raimundo

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Marta Raimundo
Marta Raimundo, portuguesa. Neste momento frequenta a Licenciatura de Comunicação Social. Escreve sobre a Vida (o que engloba muita coisa!!)