Vez ou outra a lembrança dele domina os meus pensamentos, habita minha mente com suas infinitas canções. O que já era desapego transforma-se em lágrimas porque amor que não foi vivido também dói. Talvez até mais do que aquele que foi embora. Você está nos meus dias sem saber. Você representa bem mais do que supõe ser. A ferida é mais vasta já que não podemos colocar a culpa em algo, alguém ou mesmo deixar para a vida resolver.

Se o que é melhor acontece naturalmente neste caso nada ocorreu. Tudo permanece no mundo da fantasia, ou melhor, as minhas fantasias. Algumas vezes as visito no meio da madrugada ou quando o telefone que já se encontra no silencioso tem uma mensagem sua. Felizmente ou infelizmente, o sentimento volta a importunar para dizer o que nunca soubemos dizer realmente um para o outro.

“Amor que não foi vivido é uma espécie de interrupção do que poderia ter sido ou vir a ser.”

Nossos olhares não se cruzaram. Não tomamos café da manhã juntos. Nossas mãos não se enlaçaram passeando no parque ou mesmo juntos deitados numa rede. Não jantamos ou bebemos vinho, e falamos sobre assuntos diversos. Não contamos casos em cima do telhado, muito menos trocamos cartas de amor e saudades. Amor que não foi vivido é uma espécie de interrupção do que poderia ter sido ou vir a ser. Somente nós dois.

É um aperto no peito de quem já está longe e não pode aparecer na porta da sua casa para te ver de madrugada porque sentiu saudades ou medo. É um frio na barriga inexistente do encontro marcado às 20h, e começa a se enfeitar para a vida às 15h. Com tanta intensidade para viver tudo isso, os momentos vão se perdendo na poeira do tempo, até que algum dia eu assopre para bem mais distante de mim.

Por: Caroline Santana

COMPARTILHAR

VEJA TAMBÉM





COMENTÁRIOS




Caroline Santana
Jornalista especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing. Apaixonada pelas palavras, intensidades, pessoas profundas e café porque sem tudo isso não existiriam livros, amor, histórias e inspirações!