Quando a saudade bate, eu apanho: você não morreu em mim.

Escrito por Jéssica Pellegrini, colunista do Sábias Palavras.
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Oi, meu amor!

Como você está?

Eu gostaria de falar tudo isso baixinho no seu ouvido em algum momento particular.

Mas por impossibilidades do destino, vou gritar ao mundo através desse desabafo o quanto o amor é uma coisa louca. E mais descontrolado do que eu…

Acredito verdadeiramente, que esse tenha sido o único relacionamento da minha vida em que eu depositei, sem exageros, todas as minhas fichas. E fiquei na dívida, por tantos outros empréstimos que acabei fazendo. Eu lutei por você sem armas, feri as minhas mãos, usei o meu corpo como escudo dos problemas e terminei a guerra sangrando, mas ao seu lado. E isso era tudo para mim…

Tudo isso, porque quando nos conhecemos eu acreditava intensamente no amor. Eu era uma pessoa ingênua, nesses jogos de sentimentos. Nos encontramos e eu não planejei absolutamente nada, simplesmente aconteceu. Eu não me programei para ser o amor da sua vida, também nunca imaginei que conheceria a razão da minha.

Aconteceu, como as ondas que dançam na areia. O canto inspirado dos pássaros. Um suspiro leve de alegria plena. Como uma noite entorpecida de bebida alcoólica, imaginando, sem nunca ter te visto, aonde você estaria naquele instante. Eu te desenhava nas nuvens, fazia corações em qualquer folha que aparecia na minha frente, te lembrava constantemente e sentia saudade, antes mesmo de me apaixonar pelo seu beijo, seu toque, seu cheiro e seu corpo.

Eu te ofereci o amor mais puro que habitava em mim. Sem interesses, sem traumas, angústias ou medos. Você chegou e me cegou. Se não fosse amor, o que mais poderia ser? Você sempre foi singular, a prioridade dos meus imprevistos. Eu te cuidei, protegi do que estava ao meu alcance e te orientei, que caminhar sozinho, é sempre mais difícil ou demorado. Eu me coloquei como um pilar para as suas crises, relevei os seus defeitos. Te segurei forte, quando sentiu fraqueza. Torci, comemorei, vibrei e te parabenizei, diariamente, por me conquistar sempre mais. Eu fui urgência, o seu pedido de socorro mais veloz. Eu fui o que eu pude ser, tentei ser o melhor para você…

Talvez eu tenha errado muito com você. Não que isso faça alguma diferença hoje em dia, mas vale a pena ressaltar e te pedir desculpas. Não dei espaço para que você sentisse a minha falta. Tentei explicar muitas vezes o que somente o tempo poderia te mostrar e ensinar. Acho que agora você consegue enxergar tudo o que eu sempre te dizia sobre os relacionamentos. Tornei a surpresa uma rotina, as declarações um cumprimento. Um coala em noites quentes, o seu chocolate preferido em plena dieta. Eu tentei te mostrar, ao longo da nossa história, o quanto você era incrível. Não tive limites para demonstrar isso, definitivamente, eu só pensava em você e vivia por nós. Foi egoísta da minha parte, eu nem me olhava no espelho. Nunca hesitei, ou repensei, em qualquer atitude ou gesto que garantiria qualquer sorriso seu. Era imediato, eu tinha uma necessidade de te fazer feliz que fugia completamente do meu controle.

Afinal, eu te fiz feliz?

O meu maior pavor era ficar sem você. E eu fiquei… Da mesma forma que o universo conspirou ao nosso favor, ele nos separou. Foi rápido demais para alguém que desejou viver a vida inteira ao seu lado. Eu queria compartilhar com você todas as minhas vitórias e derrotas, o seu apoio sempre foi o meu chute no peito. Você era a minha coragem e o meu maior incentivo para seguir em frente. Aqui, estou…

Sem você. Mas saiba que você não morreu em mim. O meu coração ainda pulsa, mesmo que lentamente, quando escuto falar o seu nome. Te revivo antes de pegar no sono, ou faço morada nos seus sonhos quando você menos espera. De alguma forma, estou presente. Não fisicamente como sempre estivemos, mas emocionalmente. Internamente, não mais externo ou exposto. Porque toda vez que eu dou a cara a tapa, afirmando que eu te esqueci, eu te amo por mais mil outras negações.

Só eu sei a falta que você me faz.

Eu posso te pedir uma coisa?

Se cuida!

Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua. Preste atenção no chão enquanto andar, lembre-se dos degraus que você teima em tropeçar. Cuidado com o que você fala e o que deixa de dizer. Cuidado para não machucar e, principalmente, não se machucar. Cuidado com os talheres, os pratos, os copos. Cuidado quando você pegar qualquer objeto, você teima em derrubar. Cuidado com as quinas, com as esquinas. Cuidado com os deslizes. Com o que te prometem, em quem você confia. Cuidado com as pessoas, com os mentirosos, falsos e dissimulados. Cuidado com o seu coração, com a sua bondade. Cuidado com a sua alma e com a sua personalidade.

Cuide de você, cuide-se muito bem.

E quando sentir-se frágil e faltar vontade de fazê-lo, tente não fazer por você, mas faça por mim.

Cuide-se por mim…

FONTEJe Pellegrini
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