Pode ir, mas não pense em voltar

Me entreguei à você desde o primeiro minuto. Te vi lá naquela manhã e parecia que eu havia esperado toda a minha vida por aquele momento. Até há pouco tempo conseguia sentir a mesma sensação incrível sensação que percorreu meu corpo e todos os meus sentidos quando te conheci: o arrepio na espinha, o frio na barriga, o sorriso automático que todos os nossos amigos notaram, a fixação dos olhos.

Ainda acredito no amor. Porém você me fez perder parte da pureza que levava comigo. Agora eu sei enganar, mentir e dissimular, e, mesmo quando não quero, acabo fazendo esse tipo de coisa tão condenável. Eu achava que fomos feitos para dar certo, você nunca me passou a mesma impressão. Acho que acabei por gostar mais do que você e isso machuca demais. Machuca meu interior deixando eu me sentir um tolo, fere meu ego por saber que todo mundo via o que apenas eu não via. Vivi uma ilusão por acreditar que ingenuidade era uma virtude. Findei por desvendar que ser ingênuo está mais pra vício, por mais feio que isso soe, precisamos de malandragem por que a vida exige mais que transparência, requer que guardemos alguns segredos pois nossas condutas podem acabar por transformar nossas forças em fraquezas num piscar de olhos.

Cheguei a pensar em te pedir mais uma chance pra nós, afinal nem tudo precisa ser definitivo. Também andei dizendo por aí que você era meu ex-futuro amor, que o destino conspirava e você abriria os olhos pra ver que embora em algum momento a gente se perdesse, acabaríamos por nos encontrar. Ledo engano meu. Tem coisas que quando quebram não tem conserto.

Aprendi a me valorizar e já me sinto livre para dizer: toma teu rumo, vá. Só que depois não venha com desculpas. Pode ir, mas não pense em voltar.

Escrito por Paulinho Rahs, colunista do Sábias Palavras.

Escritores-01

FONTESábias Palavras
TEXTO DEPaulinho Rahs
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