Quase três décadas depois, a morte da princesa Diana continua cercada por uma mistura de fatos comprovados, testemunhos dramáticos e teorias que jamais deixaram de circular.
No centro de uma das histórias mais perturbadoras daquela madrugada em Paris está Trevor Rees-Jones, o único sobrevivente do acidente que matou Diana, Dodi Fayed e o motorista Henri Paul.
E, embora tenha sobrevivido, Rees-Jones nunca escapou completamente do peso daquela noite.
Diana, então com 36 anos, viajava em um Mercedes-Benz S280 com Dodi Fayed, seu companheiro, Henri Paul e Rees-Jones, que trabalhava como segurança. O carro saiu do Ritz Paris e acabou se envolvendo em um acidente fatal no túnel Pont de l’Alma, por volta de 0h23 de 31 de agosto de 1997.
Henri Paul e Dodi morreram no local. Diana foi levada ao hospital Pitié-Salpêtrière, mas não resistiu aos graves ferimentos. Os médicos tentaram reanimá-la e realizaram cirurgias para conter uma grave hemorragia interna. O falecimento foi declarado às 4h00 da manhã do mesmo dia.
Rees-Jones, apesar de ficar gravemente ferido, tornou-se o único ocupante do veículo a sobreviver.
A partir daquele momento, porém, começaria uma segunda história: a disputa sobre o que realmente teria acontecido naquela noite.
“Acho que ele se expôs ao ridículo”
Mohamed Al-Fayed, pai de Dodi, passou anos defendendo a tese de que Diana e seu filho não morreram em um simples acidente. Entre as alegações mais polêmicas estava a teoria de que integrantes da família real britânica teriam ordenado uma operação para impedir um possível casamento entre Diana e Dodi.
As acusações chegaram a envolver o príncipe Philip, os serviços secretos britânicos e até pessoas ligadas diretamente ao acidente.
No entanto, Trevor Rees-Jones rejeitou publicamente as teorias.
Em 2000, em declaração à revista People, ele afirmou: “Não guardo rancor do Sr. Al Fayed. Pessoalmente, acho que ele se expôs ao ridículo com esses ataques e as alegações extraordinárias que fez.”
A declaração ganhou ainda mais peso porque Rees-Jones não era um simples comentarista distante. Ele estava dentro do carro.
No mesmo período, ele também admitiu que carregava um sentimento profundo de responsabilidade pelo que aconteceu. Mas fez questão de diferenciar essa dor da chamada “culpa do sobrevivente”.
“Não é a chamada culpa do sobrevivente”, declarou. “É o fato de eu ter sido pago para cuidar de Dodi e de seu convidado, e eles morreram durante o meu turno. Isso vai me atormentar pelo resto da vida.”
E, como ele próprio resumiu ao falar sobre o peso daquela noite, o sentimento de responsabilidade “vai me atormentar pelo resto da vida”.
As palavras revelam a dimensão pessoal de uma tragédia que, durante décadas, foi transformada em combustível para especulações mundiais.
O que as investigações concluíram sobre a morte de Diana?
A Operação Paget, investigação britânica dedicada a examinar as alegações de conspiração, foi muito mais ampla do que muitas versões divulgadas nas redes sociais sugerem.
O relatório oficial analisou centenas de questões e dedicou atenção específica às acusações de assassinato e encobrimento. A investigação britânica foi formalmente documentada em um relatório de 833 páginas apresentado pela Metropolitan Police.
O inquérito britânico posterior, concluído em 2008, chegou ao veredito de que Diana e Dodi haviam sido vítimas de “unlawful killing”, expressão jurídica que, nesse contexto, responsabilizou a combinação da condução gravemente negligente de Henri Paul e dos veículos que os perseguiam.
Mesmo assim, a teoria de uma conspiração envolvendo a inteligência britânica ou a família real nunca desapareceu completamente.
A intensa perseguição de paparazzi, as circunstâncias do acidente, a presença de fotógrafos no local e a morte de uma das mulheres mais famosas do mundo criaram o cenário perfeito para décadas de desconfiança.
A própria investigação teve de analisar alegações sobre veículos misteriosos, flashes, supostos documentos e possíveis envolvimentos de serviços de inteligência.
Em outras palavras: as perguntas foram muitas. Mas as investigações oficiais não encontraram provas de que Diana tenha sido assassinada como parte de uma operação planejada.
As últimas palavras que aumentaram ainda mais o impacto da tragédia
Outro personagem que voltou a falar sobre aquela madrugada foi o bombeiro francês Xavier Gourmelon, um dos primeiros socorristas a chegar ao túnel.
O detalhe mais impressionante é que ele não reconheceu Diana imediatamente.
Anos depois, Gourmelon contou que, em meio à confusão do acidente, ouviu a princesa dizer: “Meu Deus, o que aconteceu?”
Segundo seu relato, Diana estava consciente por alguns instantes e parecia confusa antes de sua condição piorar. Gourmelon afirmou que acreditou inicialmente que ela sobreviveria, porque os ferimentos externos não revelavam, à primeira vista, a gravidade das lesões internas.
Essa lembrança ajuda a explicar por que a morte de Diana continua tão difícil de esquecer: para quem chegou ao local, tudo aconteceu em questão de minutos, mas as consequências se prolongaram por décadas.
O mistério dos arquivos e a data de 2082
Um dos pontos que voltou a alimentar discussões é a alegação de que “os arquivos oficiais de Diana não poderão ser abertos até 2082”.
Isso por quê um dossiê francês relacionado à investigação sobre a morte da princesa Diana permanece sob sigilo público. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o material está arquivado na Corte de Apelação de Paris e reúne cerca de 6 mil páginas produzidas durante a investigação francesa sobre o acidente.
De acordo com as autoridades francesas citadas pela imprensa, o acesso ao arquivo é restringido com base no artigo L. 213-2 do Código do Patrimônio da França. Como o dossiê foi finalizado em 2007, ele não poderá ser consultado publicamente antes de completados 75 anos, o que leva a data mais próxima de acesso para 2082.
O arquivo reúne documentos da investigação, incluindo depoimentos de testemunhas, resultados de exames forenses e outros materiais produzidos pelas autoridades francesas durante a apuração do acidente que matou Diana, Dodi Fayed e Henri Paul, em Paris, em 31 de agosto de 1997.
As informações disponíveis indicam que o dossiê está preservado nos arquivos da Corte de Apelação de Paris e não possui uma versão digital disponível ao público.
Desta forma, mais uma das grandes questões das teorias é: os arquivos sobre a morte de Diana talvez contenham algo capaz de alterar as conclusões das investigações?
Diana descansa em uma ilha — e o silêncio continua
Após o funeral que parou o mundo, Diana foi enterrada em Althorp, propriedade histórica da família Spencer, em Northamptonshire. Seu túmulo fica em uma pequena ilha no centro de um lago, longe do acesso público direto.
A escolha do local parece carregar um simbolismo inevitável.

A mulher que viveu sob uma das maiores pressões da imprensa mundial passou seus últimos minutos sendo perseguida por fotógrafos. Depois da morte, seu local de descanso foi protegido do mesmo tipo de exposição que marcou sua vida.
Hoje, a história de Diana continua dividindo opiniões. De um lado, existem investigações oficiais e conclusões judiciais. Do outro, há suspeitas que persistem, especialmente porque a tragédia reuniu riqueza, poder, imprensa, celebridades e uma família real sob os holofotes.
Vinte e noves anos depois, a morte da princesa Diana continue sendo muito mais do que um acidente na memória coletiva: é uma história em que cada detalhe ainda parece capaz de abrir uma nova pergunta — mesmo quando as respostas oficiais já foram dadas.
Imagem de Capa: Reprodução Getty Images