Toxina associada ao câncer e autismo foram dectadas em marcas populares de roupas de “fast fashion”

O mercado de moda rápida é extremamente popular no mundo todo. Produzidas em larga escala com materiais sintéticos, as roupas de “fast fashion” são vendidas por gigantes globais como H&M, Shein e Zara – e alguma delas por preços bem acessíveis.

Embora tenha havido maior conscientização sobre o impacto ambiental da moda rápida, pouco se sabe sobre seus impactos na saúde dos consumidores destes produtos.

Mas agora, os pesquisadores colocaram isso à prova e descobriram que muitos itens podem conter chumbo, um metal pesado que pode entrar na corrente sanguínea e danificar o cérebro e os neurônios, aumentando potencialmente o risco de autismo e problemas comportamentais, além de danificar os vasos sanguíneos, elevando o risco de hipertensão.

Especialistas afirmam que não existe um nível seguro de exposição ao chumbo. No entanto, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CPSC) estabelece um limite de 100 partes por milhão para roupas infantis.

Em seu estudo, a equipe de Indiana testou 11 camisetas infantis de fast fashion tingidas de vermelho, rosa, laranja, amarelo, cinza e azul e descobriu que todas continham níveis de chumbo acima do limite de segurança recomendado.

No entanto, as peças de roupa com cores vivas, como vermelho ou amarelo, apresentaram os níveis mais elevados do metal pesado.

As roupas testadas foram vendidas em quatro lojas de moda rápida, cujos nomes não foram divulgados, e eram voltadas para o público infantil.

Mas mesmo que o chumbo tenha sido detectado em roupas infantis de fabricação rápida, é provável que o metal pesado também esteja presente em peças de vestuário produzidas em larga escala destinadas a adultos.

Cristina Avello, estudante de biologia da Universidade Marian e líder da pesquisa, afirmou: “As crianças não são apenas as mais vulneráveis aos efeitos do chumbo, mas também a população que está sendo afetada. E por também colocarem as roupas na boca.”

Não ficou claro por que havia chumbo nas roupas, mas os pesquisadores acreditam que isso poderia estar relacionado à forma como a cor é adicionada.

Os fabricantes de moda rápida costumam mergulhar as roupas em acetato de chumbo, uma substância barata que ajuda os corantes a aderirem às roupas, criando cores duradouras.

Existem alternativas naturais, como os taninos da casca de carvalho e da casca de romã, mas estas geralmente não são utilizadas por serem mais caras.

Como parte do estudo, eles também simularam a digestão em laboratório para determinar a quantidade de chumbo que seria absorvida pelo corpo. O objetivo era simular o impacto de mastigar roupas, algo que as crianças costumam fazer.

Os resultados mostraram que os níveis de chumbo no organismo após a digestão seriam superiores a 100 partes por milhão. Assim, o contato dessas roupas na boca por um curto período de tempo pode causar exposição ao chumbo acima do nível seguro.

A Dra. Kamila Deavers, bióloga e principal investigadora do projeto, afirmou que o estudo foi realizado depois de ter constatado que a sua filha pequena apresentou um breve aumento nos níveis de chumbo no sangue após ter sido exposta a certos revestimentos de brinquedos.

“Comecei a ver muitos artigos sobre chumbo em roupas de fast fashion e percebi que muitos pais não sabiam sobre o problema.”, disse Deavers.

Os sinais de alerta de níveis elevados de chumbo incluem problemas comportamentais, dificuldades de fala e audição e dificuldades de aprendizagem. Adultos também correm risco devido à toxina.

A bióloga pediu que os consumidores pressionem os fabricantes, alertando que, sem isso, é provável que a indústria continue produzindo artigos de moda rápida com chumbo.

Agora, os pesquisadores planejam estudar mais roupas e também planejam investigar como a lavagem afeta os níveis de chumbo nos tecidos.

Imagem de Capa: Canva





Relaxa, dá largas à tua imaginação, identifica-te!