Ninguém gosta de pergunta sem resposta. Por exemplo, o que fazemos com a saudade que sentimos de alguém? Parece que esta pergunta sem uma resposta é capaz de nos enlouquecer.

Tem dias que a saudade se torna maior do que qualquer outra coisa na vida.

Fica difícil coordenar o que tem que fazer quando você só consegue pensar no quanto sente falta de alguém. Saudade é aquele fenômeno extrafísico porque dois corpos distantes ocupam o mesmo lugar no espaço. Por vezes e com sorte, não é via de mão única.

Engana-se quem acha que só existe saudades do que já foi. Sentimos saudades também do que não foi e poderia ter sido, das coisas que ficaram no meio do caminho por falta de timing ou insistência. Saudade do “se” e do “quase”, sentimentos quase que detestáveis. E que talvez existam porque, no fim, não existe glória no fácil. Ninguém se lembra do que é fácil.

O que é mais doloroso do que a ausência é a vontade da presença. E no caso do “se” só dá para pensar que as pessoas podem ser o que elas quiserem, podem escolher qualquer coisa, mas escolhem ser apenas saudades.

O problema é que toda vez que alguém vai embora da nossa vida leva um pedaço da gente. O que nos resta é tentar voltar ao normal, sermos nós mesmos novamente. Por vezes a tarefa é hercúlea.

Saudade tem gosto de sal, faz chorar.

Tem também gosto de algo que valeu a pena porque representa a felicidade que pode ter durado muito ou apenas o instante de lembrar-se de um sorriso. Engraçado, se não fosse trágico, como a memória funciona. As coisas que mal conseguimos lembrar e as coisas que são impossíveis de esquecer.

Historicamente, gostamos de algumas pessoas, então sentir saudades vem em ondas. Em alguns dias elas vêm em sintonia com a vida e vão embora num ritmo próprio. Há dias mais difíceis e nestes, dá para perder o prumo, a gente sente como se estivesse afogando. Deveria ser feriado porque a saudade vem e cobra o seu preço. Tem hora que dói tanto que não dá nem para respirar, mas é aí que você descobre como sobreviver.

Autora: Julia Duarte

Imagem de capa: Reprodução

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