A narradora comenta que se prepara 2x mais e que não pode errar.

Renata Silveira comemorou a sua estreia narrando um jogo de Copa do Mundo masculina na TV Globo, sendo a primeira mulher a fazer isso. “A porta está aberta, mulherada. Podem entrar!”, comemora.

Entretanto, ela comenta sobre a abertura para as mulheres na TV e no mundo do futebol: “Confesso que não gostaria de ser a primeira, gostaria que outras já tivessem feito isso antes”.

Ao fazer história na disputa entre Dinamarca e Tunísia, Renata Silveira, de 33 anos, segue sendo a principal voz de um jogo por dia. A princípio serão 11 partidas, só na primeira fase.

Em 2014, no mundial, a carioca foi a primeira mulher a narrar um jogo na rádio. Após ganhar um concurso da Rádio Globo.

Depois de quatro anos, ela venceu mais um concurso da Fox Sports e narrou jogos da Copa de 2018.

Ela narrou também a final da SuperCopa feminina em fevereiro

Renata teve várias conquistas como narradora e foi a primeira mulher a conseguir narrar:

  • Um jogo da seleção brasileira em Olimpíadas (Tóquio, 2020);
  • A primeira mulher a narrar pelo SporTV;
  • Uma transmissão na TV aberta na partida da Supercopa feminina;
  • Uma partida masculina na TV aberta, no jogo Ceilândia e Botafogo na Copa do Brasil 2022;
  • Um jogo masculino na série A entre São Paulo e América-MG;
  • A primeira mulher no comando das transmissões de futebol na TV Globo.

Mulheres no mundo do esporte

Reprodução/Instagram

Visto que são feitos de se celebrar, ainda mais na maior disputa do mundo, mas Renata faz ressalvas com a demora para que o espaço fosse aberto para mulheres.

“Confesso que não gostaria de estar sendo a primeira, gostaria que outras mulheres já tivessem feito isso antes”, diz ao g1.

“Já estava na hora e vejo daqui para frente, em 2026, com outras narradoras também transmitindo a Copa”.

No entanto, para construir a narração que apresenta hoje em dia, Renata, infelizmente, não tinha outras mulheres como inspiração e referência.

Sendo assim, ela o maior exemplo, a partir de agora, para muitas mulheres.

“É muito maior, a gente não vai estar falando só com quem quer ser jornalista esportiva, mas com todas as meninas que vão poder passar a gostar de futebol e de falar de futebol a partir dessa Copa”.

De acordo com a narradora, ela acredita que a demora para as mulheres no espaço esportivo, tanto narrando, comentando ou até mesmo com repórteres, está conectada com a presença feminina no esporte: “A gente foi acreditando que o futebol não era pra gente”.

É provável que Renata Mendonça, Ana Thaís Matos, Renata Silveira, Fernanda Colombo e Nathália Lara tem o mesmo sentimento de que elas precisam estar muitas vezes mais preparadas do que os colegas homens.

E, mesmo assim, elas têm o seu trabalho questionado pelo simples fato de serem mulheres.

“Vou estudar duas vezes mais porque não tenho tempo para errar. A gente não pode errar. Se o homem erra, ele se enganou. Se a mulher erra é porque a mulher não sabe, é porque ela não devia estar ali”.

“É bem tenso e triste ao mesmo tempo, mas isso a gente vai quebrando mostrando que a gente é capaz”.

Um motivo de felicidade é ver tantas colegas da Globo e de outras emissoras juntas: “Todo mundo entendeu que se não for todo mundo junto, o negócio não vai acontecer”.

Apesar de estar comemorando tudo que está acontecendo, Renata recebe várias mensagens maldosas em suas redes sociais, e as vezes, mostra o que recebe.

Ela compartilhou as mensagens de uma pessoa que falava que ela estava “promovendo a sua beleza”.

“É uma pena porque quando vão falar de homem não falam da beleza dele, falam na narração, da parte técnica. Mas ainda assim a gente convive com esses tipos de comentários”.

Entretanto, Renata está muito feliz com o que está ocorrendo. “Minha vida é muito louca, durmo e acordo pensando em Copa e espetáculo desde setembro. Penso nisso todos os dias”.

Imagem de Capa: Reprodução/Instagram





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