É estar a uma distância que nos permita satisfazer os nossos desejos táteis, os nossos instintos inconscientes de posse? É a vontade de dar um abraço, um beijo, ir ao cinema, dizer coisas olhando nos olhos daqueles que amamos, sem perceber que, possivelmente, nesses abraços e beijos estamos em verdade abraçando a nós mesmos? Satisfazendo as Nossas carências ao invés de estarmos verdadeiramente compartilhando o nosso amor? Amar não é encoleirar o ser amado. Pelo contrário, é entregá-lo ao mundo e às Suas liberdades, aos Seus desejos. Permitir que se expresse, que viva as Sua própria vida, que busque os Seus caminhos.

Nossos filhos não são nossos. Eles são nossos hóspedes temporários, a quem, de bom grado, recebemos em nossos lares e corações e, com muito amor e dedicação, cuidamos e ensinamos os primeiros passos – num sentido mais amplo da expressão –, até o momento em que Suas asas já lhes permitem alçar os seus primeiros vôos.

Daí pra frente, estar perto é estar longe fisicamente.

É aceitar a distância como prova de amor, de desapego e de missão cumprida. Sem angústias e sem arrependimentos. É ver, mesmo que forçando a vista, que um pedaço de você está voando ao longe e aceitar isso como felicidade. A felicidade de ter feito o seu melhor, de ter criado as bases para que estes vôos sejam sempre seguros e que levem a lugares incríveis, a prazeres inenarráveis!

Acredito que estar perto transcenda o “estar presente”, a proximidade material. Afinal, qual a diferença entre estar presente fisicamente e estar a quilômetros de distância? A diferença são os quilômetros de distância e o nosso corpo físico.

O que sentimos vai além da carne. Está em algum lugar dentro de nós, e é um lugar mágico que encurta distâncias e que reforça ainda mais o ato de amar.

Neste lugar mágico está o nosso amor verdadeiro, o lugar para onde as nossas pequenas aves sempre retornarão, pois sabem que ali está o ninho, o porto seguro, a origem de tudo. Dali vieram e para todo o sempre estarão unidos, pois, onde existe o verdadeiro amor, o tempo e a distância simplesmente deixam de existir.

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Por: Angelo Asson

Imagem de capa: Yurii Hlei no Pexels

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Angelo Asson
Natural de São Paulo, Angelo Asson é editor de arte há mais de vinte anos, tendo colaborado em algumas das maiores editoras do país. É autor do recém-lançado livro “Coisas da vida… minha”, um livro que aborda os sentimentos e as emoções de uma forma que toca o leitor, fazendo-o refletir sobre si mesmo. A escrita sempre esteve presente em sua vida, desde a adolescência, com suas primeiras poesias e letras de músicas para suas bandas de garagem. O tempo passou, a vida seguiu outros rumos mas, embora tendo descoberto tardiamente o grande gosto pela escrita, acredita que nunca é tarde para começar. O autor está trabalhando em outro projeto: “Divagando em Vagão – Crônicas sobre Trilhos”, que mostra através das suas observações diárias, um pouco do cotidiano do Metrô e seus usuários. Observador atento, faz uso da criatividade em seus textos para que fiquem leves e divertidos, já que a sua intenção é que o livro possa ajudar a passar o tempo durante os traslados pela cidade.