Nunca mais deixe sua mulher usar calça legging: a verdade que pode fazer muita gente repensar essa roupa

A legging se tornou uma das peças mais populares do guarda-roupa moderno. Confortável, versátil e prática, ela acompanha mulheres na academia, no trabalho, em viagens e até dentro de casa.

Mas existe um detalhe – que não é sobre moda ou estilo – que poucas pessoas costumam observar antes de comprar ou vestir esse tipo de roupa, e ele está escondido na etiqueta.

Embora a maioria escolha uma peça levando em conta apenas o caimento, a elasticidade ou o preço, a composição do tecido pode dizer muito sobre os materiais utilizados na fabricação e levantar discussões importantes sobre saúde, meio ambiente e exposição diária a substâncias químicas.

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar com mais atenção os impactos das fibras sintéticas presentes em roupas que permanecem em contato direto com a pele durante muitas horas. O assunto ainda gera debates científicos, mas já desperta a preocupação de consumidores em todo o mundo.

O que a etiqueta da sua legging pode revelar?

Basta virar a etiqueta da roupa para descobrir do que ela é feita. Em boa parte das leggings disponíveis no mercado aparecem materiais como:

  • Poliéster;
  • Elastano;
  • Nylon;
  • Lycra (marca comercial de elastano).

Essas fibras são produzidas a partir de derivados do petróleo, ou seja, são materiais sintéticos conhecidos popularmente como “plásticos têxteis”.

A combinação dessas fibras é justamente o que proporciona elasticidade, resistência e ajuste ao corpo, características que fizeram da legging uma peça indispensável para milhões de pessoas.

Existe algum risco para a saúde?

O principal ponto levantado por especialistas não é o simples fato de a roupa conter fibras sintéticas, mas a exposição constante a determinados produtos químicos utilizados durante sua fabricação.

Alguns tecidos podem receber tratamentos com corantes, impermeabilizantes, retardantes de chama, antimicrobianos e outros compostos químicos.

Dependendo do processo de produção e da legislação de cada país, algumas dessas substâncias podem incluir compostos classificados como potenciais disruptores endócrinos.

Esses compostos são estudados por sua capacidade de interferir no funcionamento hormonal do organismo quando a exposição ocorre em determinadas condições.

Pesquisas investigam possíveis relações entre esse tipo de substância e alterações hormonais, fertilidade, desenvolvimento reprodutivo e outros efeitos à saúde.

No entanto, os impactos específicos do uso cotidiano de leggings ainda não estão totalmente estabelecidos pela ciência, e não há consenso de que vestir esse tipo de roupa, por si só, cause esses problemas.

Outro fator frequentemente citado é que leggings costumam ser usadas muito justas ao corpo e durante atividades físicas, situações em que há aumento da temperatura corporal e suor, aumentando ainda mais o contato entre o tecido e a pele.

Como essas fibras são produzidas?

O poliéster, o nylon e o elastano passam por processos industriais que envolvem derivados petroquímicos e diversas etapas químicas até se transformarem em fios extremamente finos.

Depois da fabricação, o tecido ainda pode receber acabamentos para melhorar sua aparência, elasticidade, resistência ao desgaste, proteção contra manchas e até controle de odores.

Cada fabricante utiliza processos diferentes, e a qualidade do produto varia bastante conforme os padrões adotados.

Lavar a roupa elimina esse problema?

Não exatamente.

A lavagem remove sujeiras e parte dos resíduos superficiais, mas não altera a composição das fibras sintéticas.

Além disso, existe outra preocupação ambiental: a cada lavagem, pequenas microfibras de plástico podem se desprender do tecido e seguir pelo sistema de esgoto. Muitas delas não são totalmente retidas nas estações de tratamento e acabam chegando aos rios, lagos e oceanos.

Essas partículas podem entrar na cadeia alimentar ao serem ingeridas por organismos aquáticos, motivo pelo qual a poluição por microplásticos tem recebido crescente atenção da comunidade científica.

Existem alternativas?

Quem deseja reduzir o uso de tecidos sintéticos pode procurar peças confeccionadas com maior proporção de fibras naturais, como:

  • Algodão, de preferência orgânico;
  • Linho;
  • Lã, quando adequada ao clima;
  • Viscose predominantemente de origem natural, observando se a peça não contém uma alta porcentagem de fibras sintéticas misturadas.

Esses materiais tendem a oferecer maior respirabilidade e costumam liberar menos microfibras plásticas durante a lavagem, embora também possuam impactos ambientais próprios dependendo da forma de produção.

O debate vai muito além da legging

A discussão não termina nessa peça de roupa. Camisetas esportivas, roupas íntimas, meias, jaquetas, moletons e diversas outras peças também utilizam poliéster, nylon e elastano em diferentes proporções.

Isso significa que a exposição às fibras sintéticas faz parte da rotina da maioria das pessoas, independentemente do tipo de roupa que usam.

Por isso, mais do que abandonar uma peça específica, o mais importante é conhecer a composição das roupas, optar por produtos de qualidade, seguir as orientações de lavagem e acompanhar as evidências científicas à medida que novas pesquisas são publicadas.

No fim das contas, a etiqueta da roupa pode revelar muito mais do que apenas o tamanho ou a forma correta de lavagem.

Ela mostra exatamente quais materiais estarão em contato com sua pele todos os dias. E depois de descobrir isso, vale a pena fazer uma pergunta simples: você já conferiu do que são feitas as roupas que veste diariamente?

Imagem de Capa: Sábias Palavras





Márcia Lourenço
Formada em Nutrição e apaixonada pela profissão, encontro na escrita uma forma de expressão e conexão. Na criação de conteúdo do Sabias Palavras, abordo temas como saúde, bem-estar, relacionamentos e temas divertidos e de reflexão, sempre com uma abordagem humana.