O desaparecimento de Madeleine McCann continua sendo um dos maiores mistérios criminais da história atual.
Quase duas décadas após a menina britânica desaparecer durante as férias da família em Praia da Luz, no Algarve, Portugal, novas declarações voltaram a chamar a atenção do público.
Desta vez, o responsável pelas revelações é o detetive e escritor Bernt Stellander, autor do livro O Impulso Súbito (The Sudden Impulse), que afirma ter recebido o depoimento de uma nova testemunha capaz de reforçar a teoria apresentada em sua obra.
As declarações foram feitas durante sua participação no podcast Anything Goes with James English. Na entrevista, Stellander afirmou que passou sete anos investigando o caso e reuniu o resultado desse trabalho em O Impulso Súbito, livro no qual apresenta uma cronologia alternativa para os acontecimentos da noite em que Madeleine desapareceu.
Segundo Stellander, a nova testemunha entrou em contato após acompanhar seu trabalho ao longo dos últimos anos. De acordo com ele, o relato recebido confirma diversos pontos da cronologia descrita no livro, reforçando sua convicção de que a versão oficial do desaparecimento precisa ser revista.
O investigador afirmou que pretende entregar oficialmente todas as novas informações à Polícia Judiciária portuguesa, responsável pela investigação inicial do caso.
Para ele, não faria sentido encaminhar o material à Scotland Yard, já que, em sua opinião, a polícia britânica estaria concentrada em sustentar a hipótese do sequestro, em vez de analisar outras possibilidades.
“Essas novas informações da testemunha serão entregues oficialmente à Polícia Judiciária. Não adianta entregá-las à Scotland Yard, porque eles não estão interessados na verdade, apenas em encontrar um bode expiatório”, declarou durante o podcast.
Além do novo depoimento, Stellander afirmou possuir gravações em vídeo relacionadas ao grupo de amigos que jantava com Kate e Gerry McCann na noite dos acontecimentos.
Segundo ele, esse material também será entregue às autoridades portuguesas juntamente com um pedido formal para que seja aberta uma nova investigação baseada na cronologia apresentada em O Impulso Súbito.
Stellander defende a teoria de que Madeleine McCann não foi sequestrada
Segundo sua interpretação dos acontecimentos, a menina teria sofrido um acidente fatal no apartamento da família pouco antes da meia-noite de 2 de maio de 2007, um dia antes da data em que o desaparecimento foi oficialmente comunicado.
Ainda segundo o autor, a hipótese do sequestro teria sido construída posteriormente para ocultar o que realmente teria acontecido.
Durante a entrevista, Stellander afirmou que a nova testemunha fortalece essa cronologia. Ele disse que ficou profundamente impactado ao receber o contato, justamente porque, segundo suas palavras, o depoimento confirmaria diversos detalhes que ele já havia publicado no livro.
“O mais interessante é que, quando a verdade começa a aparecer, outras pessoas surgem com informações que estavam escondidas ou esquecidas durante todos esses anos”, afirmou.
Outro ponto abordado por Stellander diz respeito ao que ele considera inconsistências na cronologia oficial. Segundo o autor, não haveria tempo suficiente para que determinados acontecimentos descritos pelas autoridades ocorressem da maneira apresentada.
Em sua avaliação, algumas alterações em depoimentos de testemunhas, além de questionamentos envolvendo a data registrada na última fotografia conhecida de Madeleine junto à piscina, indicariam que a menina já não estaria viva em 3 de maio.
O investigador também voltou a citar relatos de testemunhas que considera relevantes para sua teoria. Segundo ele, uma pessoa afirmou ter visto um homem carregando um grande saco preto aparentemente pesado nas proximidades do apartamento durante a noite anterior ao desaparecimento oficialmente divulgado.
Ainda de acordo com Stellander, outra testemunha que vivia perto da igreja local teria relatado, anos atrás, ter visto um homem transportando um objeto pesado e uma pá durante a madrugada.
Na avaliação do autor, ambos os relatos apresentam semelhanças de horário e descrição que, segundo ele, reforçam a cronologia apresentada em O Impulso Súbito.
Durante o podcast, Stellander também criticou o que considera um silêncio da grande imprensa sobre sua investigação. Segundo ele, uma liminar impediria que determinados veículos tratassem amplamente de sua obra e de sua cronologia.
Stellander afirmou ainda que não teme eventuais ações judiciais relacionadas ao conteúdo publicado em O Impulso Súbito, declarando estar confiante na pesquisa que realizou ao longo dos sete anos dedicados ao caso.
Ao comentar o novo depoimento, Stellander fez uma das declarações mais contundentes da entrevista: “Não sei exatamente o que aconteceu naquela noite, mas tenho certeza de uma coisa: ninguém levou Madeleine.”
Segundo ele, essa convicção decorre da análise que realizou da disposição do apartamento, da localização das janelas e das condições do local, que, em sua avaliação, seriam incompatíveis com a hipótese de um sequestro conforme inicialmente divulgada.
Apesar das alegações apresentadas por Bernt Stellander, até o momento, elas não foram confirmadas pelas autoridades portuguesas, britânicas ou alemãs, nem constituem a versão oficial do caso.
A investigação sobre o desaparecimento de Madeleine McCann permanece aberta. Nos últimos anos, as autoridades alemãs continuam considerando Christian Brückner como o principal suspeito no caso, embora ele nunca tenha sido condenado pelo desaparecimento da menina e negue qualquer envolvimento.
As novas declarações de Bernt Stellander reacenderam o debate sobre o desaparecimento de Madeleine McCann quase duas décadas depois, mas que continua cercado de perguntas sem respostas.
Imagem de Capa: Arquivo Pessoal/Reprodução