Tenho um notebook antiguinho que foi fruto das minhas primeiras economias como universitária e que me acompanha há uns bons anos.

Passamos final da faculdade juntos, a bendita época de TCC, primeiro emprego, cursos profissionalizantes, estudos para residência, sem falar todo lazer, netflix, filmes, jogos, donwloads, facebook, instagram e até o falecido Orkut. Não posso esquecer do Msn também, oh saudades da telinha tremer quando chamava atenção.

Deu para perceber a idade do dito cujo né? Pois bem, todos sabem que o tempo passa para todos e com os notebooks não poderia ser diferente, a cada ano, semana, dia um novo é lançado, mais compacto, mais rápido, mais memória, mais mil e uma coisas.

Ontem precisava resolver uns trabalhos que prometi a uma amiga e o bendito aqui travou, e como não sou nenhuma técnica em computação a solução é desligar, esperar e ligar. Foi nesse momento que durou uns bons minutos que pude refletir o que a vida estava me ensinando por meio do meu velho notebook.

Primeiro a ter paciência, saber esperar.

Justo eu que sofro de ansiedade e desejo fazer tudo para terminar logo, sou obrigada a parar e esperar, a desacelerar e entender que nem tudo é no meu tempo. Se um computador precisa de tempo para esfriar e reiniciar quem dirá as pessoas, essas máquinas tão complexas cheias de emoções e sentimentos.

Segundo a persistir. Sempre me titularam teimosa, não desisto fácil. Tento, tento, tento. Se não deu certo de primeira vamos para segunda, terceira, quarta, e por aí vai; os números são infinitos e uma hora vai dar certo. Vale para o ser humano também, não é porque não deu certo que devemos desistir, pelo contrário, as pessoas que conseguiram conquistar seus desejos e sonhos obtiveram muitos obstáculos e quedas pelo caminho antes.

E terceira consertar. Sim se está mal, quebrado, não funciona o que é mais fácil? Comprar um novo. O mundo prega que o novo é sempre melhor, que seu velho aparelho pode ser substituído por um novo com coisas que você não precisa, mas que todo mundo tem, então você deve ter também. Triste realidade é que as relações também estão assim, amizade não deu certo, bora para outra. Família não é como eu desejo, mudo de casa. Namoro, casamento está ruim, jogo fora, descarto e nem é no reciclável. Afinal tem um amplo cardápio de gente nas redes sociais aí, vou escolher um novo rapidinho.

“Até quando o ser humano vai tratar pessoas como objetos e objetos como pessoas.”

E aí eu te pergunto, até quando? Até quando o ser humano vai tratar pessoas como objetos e objetos como pessoas. Esperar, persistir e consertar foi a lição que meu velho computador me deu e me fez lembrar de como o ser humano está se perdendo.

P.S. Ah depois de um “tempinho” ele voltou a funcionar perfeitamente e é por ele que escrevo essas palavras.

Por: Cristiane de Fátima

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Cristiane de Fátima
Enfermeira Especialista em Saúde da Família/ Residência/ UNIFAL-MG Editora Junior