É o meu, o seu e o nosso amigo, que nos ajuda a levantar quando o mundo gira, é o fotógrafo e o fotografado, é o cúmplice nas mentiras ditas entre uma cerveja e outra, é um excelente psicólogo. Figura imortalizada pela música, pelo cinema, o garçom também é conhecido como chefe, amigão, brother, mestre, camarada, chapa, campeão e por aí vai…

É muito mais do que o empregado que serve as mesas como define nosso pai Aurélio. Ninguém conhece tão bem a noite e seus segredos como ele. O figura sabe o que se passa por de trás da mente de cada ‘bebum’, se bebem por tristeza ou por alegria. É ele o responsável pela felicidade da sexta à tarde, é o culpado da dor de cabeça do dia seguinte.

Pobre garçom que te levou nos braços até o táxi.

Existem vários tipos de garçom. Tem o malandro que vire e mexe marca uma ou duas cervejas a mais, tem o bem humorado, que sempre está cheio de energia e bom astral, o mau humorado, este não fala muito, mas tem sempre uma boa resposta na ponta da língua. Tem um tipo que é bem comum, o simpático sempre sorridente, com seu vasto cardápio de piadas, sempre gozador faz comentários sobre futebol e não perde a chance de zoar você quando seu time perde. Tem também o garçom ligeirinho, o bom de memória, o que tem amnésia, o desastrado e o gasparzinho, que só aparece para fechar a conta.

O garçom não é o nosso amigo de infância muitos menos nosso melhor amigo, mas é ele o primeiro a saber que levamos um chifre, ou aquele fora. Ele não é nosso avalista nem o gerente do banco, mas sem o seu aval jamais conseguiríamos pendurar a conta. Apesar de não ser cupido ele age como tal, fazendo o papel de pombo correio, leva e traz os recadinhos rabiscados nos guardanapos, leva a cerveja na mesa das moças gentilmente paga pelos cavalheiros.

Ele até ajuda a juntar as mesas dos pretendentes a casal.

Quando não conseguimos nem levantar de tão bêbados, e mesmo assim pedimos a décima saideira, o garçom nos rejeita dizendo, “é melhor o senhor parar!” Então pedimos com jeitinho jurando ser a última e ele concorda, nos serve e até sorri. E olha que ele não é nossa mãe e muito menos nossa esposa ou namorada. As vezes ele torce para que a noite acabe logo e ouvi inúmeras vezes: “hoje eu quero beber até amanhecer!”

Algumas vezes, motivados pelas condições etílicas, brigamos com o garçom, xingamos, o acusamos de somar a conta errada e juramos nunca mais voltar naquele bar. Mas no dia seguinte lá estamos ocupando a mesma mesa e fazendo questão de ser atendido pelo mesmo garçom, que por sua vez te chama pelo nome e diz cortes: “O de sempre meu amigo?”

A relação entre homem e garçom vai além do raciocínio lógico e talvez foge do entendimento de algumas namoradas e esposas.

Para passar a régua e fechar a conta, deixo a seguinte frase: “Uma pessoa que é agradável com você, mas trata mal um garçom, não é uma boa pessoa.” O autor é desconhecido, mas na minha opinião, deve ter sido escrito por um garçom espertinho.

Por: Robson Rocha @ Instagram

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