Fim da patente do Ozempic no Brasil pode derrubar preços em até 50% e transformar mercado de remédios para diabetes e obesidade

Uma mudança aguardada há anos pela indústria farmacêutica e por milhões de pacientes brasileiros está prestes a acontecer. A partir de 20 de março de 2026, a patente da semaglutida — substância responsável pelo sucesso do medicamento Ozempic — deixará de ter exclusividade no Brasil.

A quebra dessa proteção abre caminho para que outras farmacêuticas produzam versões genéricas ou similares do medicamento, criando uma disputa intensa que deve ter um impacto direto no bolso dos pacientes.

Analistas do setor acreditam que a mudança pode provocar uma verdadeira revolução no mercado nacional de tratamentos para obesidade e diabetes, tanto em preços quanto em acesso.

Remédio que virou fenômeno global

A semaglutida se tornou um dos medicamentos mais comentados do mundo nos últimos anos. Inicialmente desenvolvida para tratar diabetes tipo 2, a substância ganhou enorme popularidade por também ajudar na perda significativa de peso.

Esse sucesso transformou a farmacêutica responsável pelo produto em uma potência global. A empresa por trás do Ozempic viu suas vendas dispararem e chegou a figurar entre as companhias mais valiosas da Europa.

No Brasil, porém, o medicamento ainda é considerado caro para grande parte da população.

Quanto custa hoje o Ozempic no Brasil

Atualmente, o preço do Ozempic varia bastante entre farmácias e cidades, mas geralmente fica entre R$ 900 e R$ 1.200 por caneta injetável com doses mensais.

Para muitos pacientes que precisam usar o medicamento continuamente, esse custo mensal acaba sendo um grande obstáculo. É justamente esse cenário que pode mudar drasticamente com o fim da patente.

Genéricos podem derrubar preços rapidamente

Segundo um relatório recente do banco de investimentos Itaú BBA, a chegada de versões genéricas da semaglutida deve provocar uma redução significativa nos valores cobrados nas farmácias.

As estimativas indicam que:

  • No primeiro ano: os preços podem cair cerca de 30%
  • Em até cinco anos: a redução pode chegar a 50%

Se essas projeções se confirmarem, o preço médio do tratamento poderia cair para algo entre:

  • R$ 630 a R$ 840 inicialmente, após a entrada dos primeiros concorrentes
  • Entre R$ 450 e R$ 600 no longo prazo, dependendo do número de fabricantes no mercado

A queda tende a acontecer gradualmente à medida que novas empresas lançam seus produtos e a concorrência aumenta.

Farmacêuticas já se movimentam para entrar na disputa

O fim da exclusividade da semaglutida deve desencadear uma corrida entre grandes farmacêuticas interessadas em participar desse mercado extremamente lucrativo.

Laboratórios nacionais e internacionais já estudam lançar versões do medicamento no Brasil assim que a patente expirar. Entre os interessados estão fabricantes de genéricos e biossimilares que buscam aproveitar a enorme demanda por tratamentos para obesidade e diabetes.

A expectativa é que a competição se concentre inicialmente no preço, estratégia comum quando medicamentos populares perdem proteção de patente.

Mercado pode dobrar de tamanho

O impacto não deve se limitar apenas à redução de preços. Analistas acreditam que a maior acessibilidade do medicamento pode ampliar drasticamente o número de pacientes em tratamento.

Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro de medicamentos baseados em semaglutida pode dobrar de tamanho rapidamente, alcançando cerca de R$ 20 bilhões já em 2026.

Esse crescimento seria impulsionado por três fatores principais:

  • preços mais baixos
  • maior oferta de medicamentos
  • aumento da procura por tratamentos para obesidade

Mais acesso para pacientes

Especialistas avaliam que o maior beneficiado com a mudança tende a ser o paciente brasileiro. Com preços mais competitivos e mais opções disponíveis nas farmácias, tratamentos que antes eram restritos a uma parcela menor da população podem se tornar muito mais acessíveis.

A queda da patente da semaglutida marca, portanto, o início de uma nova fase para o setor farmacêutico no país — e pode redefinir completamente o mercado de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade nos próximos anos.

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