
Viajar para o exterior envolve expectativas, compras e, muitas vezes, surpresas na alfândega.
Contudo, poucas pessoas sabem que há certos tipos de mala que chamam a atenção automaticamente da Receita Federal durante a inspeção por raio-X. Dessa maneira, aumentando as chances de fiscalização e cobrança de impostos.
A seleção não acontece por acaso. Ela segue critérios técnicos, padrões de risco e histórico de irregularidades comuns em aeroportos brasileiros.
Por isso, descubra abaixo quais são as malas que costumam ser paradas, por que isso acontece e como evitar problemas.
1. Mala com excesso de eletrônicos
Eletrônicos estão entre os itens mais fiscalizados na alfândega porque existe limite de isenção para compras no exterior. Quando a quantidade foge do padrão de uso pessoal, a Receita pode entender que há intenção de revenda, o que exige declaração e pagamento de impostos.
O que chama atenção no raio-X:
- Muitos itens iguais ou semelhantes
- Produtos novos, ainda lacrados
- Grande volume de fios, carregadores e acessórios
Exemplos comuns:
- 3 ou 4 celulares do mesmo modelo
- Dois notebooks na mesma bagagem
- Tablets, drones, smartwatches em quantidade
- Caixas originais intactas
Mesmo que os produtos sejam para uso próprio, o volume excessivo aumenta o risco de retenção da mala.
2. Malas com formato ou densidade incomum
O equipamento de raio-X identifica diferenças de densidade e materiais dentro da bagagem. Quando a imagem não corresponde a um padrão comum de roupas e objetos pessoais, a mala pode ser separada para inspeção manual.
A Receita pode mandar abrir quando:
- Há suspeita de compartimentos ocultos
- A mala está extremamente pesada para o tamanho
- Objetos metálicos dificultam a visualização interna
- Existe excesso de embalagens protetoras
Exemplos que geram alerta:
- Alimentos caseiros (carnes, queijos artesanais, embutidos)
- Garrafas escuras ou recipientes sem rótulo
- Objetos embrulhados com muito plástico, papel alumínio ou fita
- Produtos compactos e pesados empilhados
Além da questão tributária, alguns alimentos são proibidos e podem gerar apreensão imediata.
3. Malas que aparentam conter produtos de alto valor
Itens de luxo estão sujeitos à tributação e devem ser declarados quando ultrapassam a cota permitida. Mesmo roupas e acessórios podem ser considerados bens tributáveis dependendo da quantidade, valor e estado de conservação.
Itens que costumam gerar fiscalização:
- Roupas de marcas famosas e caras
- Bolsas, relógios e joias
- Perfumes importados em grande número
- Tênis de edição limitada ou de alto valor
- Um detalhe que muitos ignoram:
- Roupas repetidas com etiqueta
- Peças com aparência de novas, mesmo sem etiqueta
- Vários itens do mesmo modelo ou numeração
A Receita pode entender que se trata de mercadoria para revenda, não de uso pessoal.
Como reduzir o risco de ter a mala aberta?
- Retire embalagens e etiquetas quando possível
- Evite grandes quantidades de itens iguais
- Distribua eletrônicos entre bagagem de mão e despachada
- Declare voluntariamente se ultrapassar a cota
- Leve notas fiscais ou comprovantes quando tiver itens caros
Organize sua mala de forma consciente
A Receita Federal não escolhe malas aleatoriamente. Padrões visuais, densidade, volume e tipo de produto orientam a fiscalização no raio-X. Entender esses critérios ajuda o viajante a se preparar melhor, evitar transtornos e reduzir o risco de multas ou apreensões.
Viajar informado não elimina a fiscalização, mas diminui muito as surpresas desagradáveis na alfândega.
Imagem de Capa: Sábias Palavras/Canva

