
O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento – originalmente desenvolvidos para tratamento do diabetes tipo 2 – disparou nos últimos anos. No entanto, junto com a popularidade, surgiram notificações preocupantes envolvendo possíveis casos de pancreatite aguda.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já informou que monitora relatos de eventos adversos, e até morte, relacionados a medicamentos dessa classe, conhecidos como agonistas de GLP-1.
No Reino Unido, a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency também acompanha notificações semelhantes. É importante deixar claro: notificações não significam causalidade comprovada. Elas indicam que os casos estão sob investigação.
Mas por que a pancreatite preocupa tanto?
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas — órgão responsável por produzir enzimas digestivas e hormônios como a insulina. Quando inflamado, ele pode causar dor intensa e, em casos graves, complicações sistêmicas, infecção, necrose e até risco de morte.
Segundo dados clínicos amplamente documentados, as causas mais comuns são cálculos biliares e consumo excessivo de álcool. No entanto, medicamentos também estão listados como possíveis fatores desencadeantes em literatura médica.
Os medicamentos como as famosas canetas emagrecedoras atuam estimulando receptores hormonais que afetam o apetite, a saciedade e o controle glicêmico. Existe debate científico sobre a possível associação entre agonistas de GLP-1 e pancreatite.
Estudos observacionais já avaliaram esse risco, com resultados variados. Até o momento, não há consenso definitivo de que o medicamento cause pancreatite de forma direta, mas a recomendação é vigilância clínica.
E aqui está o ponto mais importante: sintomas
Se você está utilizando este tipo de medicamento para emagrecer e apresenta dor abdominal intensa e persistente — especialmente na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas — acompanhada de náuseas, vômitos ou mal-estar significativo, procure atendimento médico imediato.
Dor que não melhora e piora após alimentação é um sinal clássico descrito em quadros de pancreatite.
Não ignore esses sinais. Pancreatite aguda precisa de avaliação hospitalar, exames laboratoriais (como dosagem de amilase e lipase) e, muitas vezes, internação para controle da inflamação.
Outro ponto fundamental: acompanhamento médico não é opcional
Especialistas recomendam que pacientes em uso dessas medicações façam acompanhamento regular.
Em alguns casos, especialmente em pessoas com histórico de cálculos biliares ou perda de peso rápida (que aumenta o risco de formação de pedras na vesícula), pode ser indicado ultrassom de abdômen total para avaliar a presença de cálculos que possam obstruir o ducto pancreático.
A mensagem é clara: medicamentos eficazes não são isentos de risco. O uso deve ser individualizado, com avaliação médica criteriosa e monitoramento contínuo.
Emagrecer com saúde exige responsabilidade. Se houver dor abdominal forte, não espere passar. Pode ser apenas algo simples. Mas pode ser o sinal que salva sua vida.
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