Ela esta sentada na varanda olhando para o quintal. Veste um short jeans velho, curto mas confortável, uma blusa preta de alças. Seus lindos cabelos preto estão presos. Ao seu lado, um copo de café com leite pela metade. Ela cruza as pernas e debruça o corpo para frente lançando uma mão sobre o joelho enquanto a outra segura o cigarro. Ela ergue a cabeça para baforar a fumaça e serrilha os olhos que são ofuscados pelo brilho do sol. A expressão faz que se crie uma ruga entre as suas sobrancelhas. 

Volta o olhar para baixo enquanto da mais uma tragada, em seguida a fumaça é expelida pelo canto da boca. Ela esta pensando como foi o dia anterior. As palavras que foram ditas, o último abraço, o alívio e o desespero, a dor e a liberdade. As lembranças traz uma tristeza, aperto no coração, dor no estomago. Sem perceber ela franze a testa unindo as sobrancelhas. Então se esforça para pensar em coisas boas.

No seu novo futuro que para ela seria maravilhoso ou pelo menos melhor que seu presente. 

Entusiasmada com as novidades que logo viera ela descruza as pernas, relaxa o corpo, termina seu cigarro tragando o resto de uma só vez, solta a fumaça e todo ar que há em seus pulmões como se gritasse. Apesar de tão nova manuseia o cigarro com maestria entre os dedos. Com a mesma experiência de boêmio lança a bituca longe utilizando só os dedos. 

Pega o copo de café com leite e fica de pé ainda exposta aos raios de sol daquela manhã. Mais um gole e caminha para perto das plantas. E assim como ele, ela as observa. Mas sem fazer ligações do seu jardim com o dele. Apenas olha e pensa se ira continuar cuidando ou não daquelas flores. O leite com café acaba, ela da às costas para o jardim que ela mesma plantara e entra para casa. Dentro do quarto ainda bagunçado pelas mudanças que ela mesma se propôs a fazer escolhe alguma roupa e se arruma. Se olha no espelho prende o cabelo, depois solta prende de novo, ajeita o óculos e sai para trabalhar.

As dúvidas invadem sua cabeça, ela luta e reluta, tentando se convencer de que fez a escolha certa.

De que seria feliz daquele instante para sempre. Ela foge dos problemas, não por falta de vontade de tentar resolvê-los, mas por não ter mais forças de enfrentar as dificuldades. A vida tem sido amarga para ela. Logo ela que é tão doce. Ela que tem o sorriso mais lindo de todos, tem chorado antes de dormir. Mas todas as noites tem sido uma nova esperança de uma amanhecer glorioso.

Por: Robson Rocha @ Instagram

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Robson Rocha
Jornalista por formação, assessor de comunicação. Amor incondicional pela fotografia. Libriano que sou, tenho o amor como base de tudo. Adoro escrever crônicas, além de proporcionar uma viagem tranquila ao leitor, também é a forma da qual descanso das escrituras do dia a dia. Tanto o jornalismo quanto a fotografia me proporcionam um olhar diferente, principalmente nas relações humanas e mais especificamente nas relações amorosas onde acredito ser a essência da vida.