Demoramos muito para perceber a beleza de um amor maduro

Quando somos mais jovens amamos sofrer. Amamos a angústia, a dor, os vai e vens da vida. É engraçado como nos deliciamos com essas histórias que parecem aquelas que vemos na TV. Não sei se é ingenuidade ou falta de vivência, mas a verdade é que demoramos para perceber a beleza de um amor sadio. A beleza da tranquilidade, do abraço sincero e da paz. De um relacionamento sem brigas, sem discussões desnecessárias e que faz a gente ter a certeza de que o outro sempre estará lá por nós.

Uma certeza boa daquelas que faz a gente sentir que ganhou na loteria.

Demoramos muito para ver a beleza da transparência, da afinidade e de alguém que seja nosso porto seguro. Descarto assim os amores egoístas cheios de “eu” e pouco de “nós”. Amores rasos de pessoas vazias que tentam encher a si mesmos esvaziando ao outro. Isso dói, machuca. E a gente, por ingenuidade ou por falta de vivência, acaba aceitando doar mesmo sem receber. Acaba aceitando se esvaziar e permanecer na mornidão de um amor raso, imaturo.

É uma pena que levamos tanto tempo para assumirmos para nos mesmos que não aceitamos mais qualquer coisa. Qualquer abraço, qualquer beijo, qualquer afeto e qualquer relacionamento. É uma pena que tenhamos que nos ferir tanto, chegar ao nosso limite para contemplar e reconhecer a beleza de um amor maduro.

Depois de muito tempo entendemos que viver chorando não é sinônimo de amar demais. Que insistir em ficar quando o outro quer partir é um ato contra o nosso amor próprio. É uma pena ver que precisamos primeiro nos despedaçar para só então nos conhecermos de fato. Que precisamos aceitar tão pouco para vermos que aquilo não nos bastava.

⚠️ Antes de continuar: O seu signo hoje pode explicar exatamente o que está a sentir agora.

Depois de se achar problema, de tentar fazer dar certo inúmeras vezes, de insistir, de implorar para que o outro fique, a gente cansa.

Desmorona. Mas se recompõe. E é ai que entendemos a beleza da parceria, da cumplicidade e do amor. Aquele amor bonito que a gente não sofre por amar. Aquele amor vivido e sentido a dois. Ah, como é bom transbordar.

Como é saudável viver um amor sem medo, sem cobranças, sem jogos de desinteresse e sem insistência para o outro ficar. Como é bom ver o outro nos escolher todos os dias mesmo a gente não merecendo às vezes, como é bonito a serenidade de um amor tranquilo. Demoramos muito tempo para reconhecer o que é amor. E pode ser que você lendo esse texto não tenha vivido o amor ainda. Sofre, chora, sente e insiste: é amor. E sabe, eu te entendo.

Demoramos muito para reconhecer a beleza da paz. A beleza de um amor maduro e que não nos faça mal. Levamos muito tempo para distinguir amor de apego. Amor de comodismo.

Levamos tempo para reconhecer que rotina não é relacionamento e que estar junto não é necessariamente se relacionar.

Depois de um tempo entendemos a beleza dos filmes, das séries e dos jantares a dois. Entendemos que cumplicidade vai além de estar ao lado fisicamente e que mesmo depois de tanto tempo o amor só aumenta e jamais diminui e que não existe essa de “não ser mais novidade.” Demoramos. Mas aprendemos e é essa a beleza da vida: reconhecer e recomeçar.

Por: Thamilly Rozendo

Imagem de capa: Reprodução





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