Tudo o que sabia era que havia chegado ao final daquele relacionamento e que viver em uma casa de recordações não a ajudaria e sim, a sufocaria todos os dias!

– Quem vai ficar com a casa?

– Você pode ficar aqui, eu prefiro sair.

Esse diálogo lhe é familiar? Muitos de nós já passamos por uma separação e, muitas vezes, nos vemos apegados às coisas que não são mais nossas, a lugares que não nos cabem mais!

Foi a atitude de uma amiga que me fez escrever este artigo. Diante do fim de uma relação de anos, ela resolveu que sairia da casa e não ele, como muitos devem pensar ser correto. A gente pode pensar que, poxa, “por ele ser homem” ele que saia, que se vire, que arrume um lugar para morar! Mas essa minha amiga, com a sabedoria de um guru tibetano, resolveu que ela sairia. Quando a questionei por sua atitude, tudo que ouvi foi:

“Eu não saberia mais ficar ali, com aquelas lembranças, com tudo do jeito que vivemos. Eu não saberia recomeçar se continuasse no mesmo lugar!”

Uma sábia decisão que a colocou no pódio com todas os mulherões reunidas!

É óbvio que diante de uma separação, diante do recomeço, do novo, a gente pira e é muito difícil sairmos de debaixo das cobertas para encararmos a vida, no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido! Muitas de nós, em separações, entram em pânico, surtam, não sabem como reagir ou como seguir a vida sem a pessoa do lado.

Mas, aqui, eu estou falando das mulheres diferentes! Não de qualquer mulher! Estou falando das decididas, das fortes, das lutadoras que possuem o entendimento necessário para saber a hora de se retirar de uma relação e de saber o que querem para sua vida dali pra frente.

Essa minha amiga só sabia de uma coisa: que ela precisava seguir. Não sabia pra onde iria, em que casa moraria ou se continuaria na cidade, ela não sabia! Tudo o que sabia era que havia chegado ao final daquele relacionamento e que viver em uma casa de recordações não a ajudaria e sim, a sufocaria todos os dias!

Então, ela levantou a cabeça, baixou seu santo forte, sua Joanna D’arc, e fez a sua escolha.

Os dias seguintes não foram fáceis, ela chorou sozinha, comeu panelas de brigadeiro e algumas comidas compradas já que não tinha seu próprio fogão. Não foi fácil pra ela. Pensou em desistir, em ter recaídas, mas… essa diaba dessa carência! Respirou fundo, sobrevivendo dia após outro assumindo com garra e coragem a decisão que tomou, até que um dia, ela recebe uma bela de uma proposta de emprego e se muda, descobrindo uma vida nova depois da tempestade.

Sempre teremos decisões difíceis para tomarmos na vida. Sempre teremos dezenas, centenas de escolhas para fazer e muitas delas nos causarão sofrimentos. O dizer: “Obrigada, mas eu prefiro sair” é o simbolismo de uma atitude acima da média, de uma pessoa que já sofreu, que sabiamente entendeu que não existia nada mais ali que a alimentasse, que estava vivendo um relacionamento enfraquecido, sufocante e sem amor!

Quando a gente entende isso e resolve dar o primeiro passo, aquele da porta pra fora, fazemos uma escolha. Nós nos escolhemos! Mesmo que pareça loucura, que nada vá dar certo, que tudo ficará terrível no começo e que choraremos noites seguidas super arrependidas pela nossa atitude, morrendo de vontade voltar, de viver de novo aquela… “porcaria”? É aí que você lembra que era tudo uma porcaria e que sua decisão, por mais louca que tenha sido, foi a melhor.

Se tomar uma decisão e em seguida uma atitude, não pense no que deixará, pois isso a impedirá de seguir.

Pegue algumas coisas, alguns pertences e todo o resto, deixe. Deixe as lembranças, a vida, o passado, as histórias. Deixa tudo para trás, levante a cabeça e siga em frente.

Depois de um tempo, daquela dura fase de adaptação, você entenderá que sua decisão terá valido a pena.

Por: Cris Souza Fontês

Imagem de capa: Quang Nguyen Vinh no Pexels

VEJA TAMBÉM




Sábias Palavras
Relaxa, dá largas à tua imaginação, identifica-te!