Forçado a unir forças com o agente especial da CIA August Walker (Henry Cavill) para mais uma missão impossível, Ethan Hunt (Tom Cruise) se vê novamente cara a cara com Solomon Lane (Sean Harris) e preso numa teia que envolve velhos conhecidos movidos por interesses misteriosos e contatos de moral duvidosa. Atormentado por decisões do passado que retornam para assombrá-lo, Hunt precisa se resolver com seus sentimentos e impedir que uma catastrófica explosão ocorra, no que conta com a ajuda dos amigos de IMF.

A franquia de qualidade mais consistente no gênero encontra em sua sexta aventura o ápice da adrenalina. Do primeiro, comandado por Brian De Palma, que honrava a essência de espionagem intrincada da série televisiva, passando pela sequência, com John Woo sendo reverente aos clássicos das artes marciais e o policial oriental que dominava o período, até o abraço caloroso na fórmula do thriller malabarista dado por J.J. Abrams e a divertida ação escapista de Brad Bird, as produções primavam pela ousada transição de estilo, característica que garantia um senso de identidade único para cada obra. O roteirista/diretor Christopher McQuarrie injetou em “Rogue Nation” um frescor revigorante que respeitava elementos marcantes de todos os cineastas anteriores, atitude que facilitou sua permanência, quebrando a tradição, para a alegria de todos os amantes do cinema de ação.

Com raras exceções, como “John Wick”, o gênero se perdeu nas últimas décadas permitindo que a montagem criasse a empolgação nas sequências de pancadaria, tiroteio e perseguições, prejudicando a eficiência sensorial destes momentos, movimentos de câmera cada vez mais caóticos, disfarçando dublês e falhas técnicas. Os filmes da franquia, especialmente os três últimos, remam contra esta corrente, auxiliados pela disposição invejável (corajosa e, de certa forma, inconsequente) de seu protagonista, Tom Cruise, em buscar realizar grande parte de suas cenas sem truques. Quando ele passeia do lado de fora de um helicóptero, você enxerga claramente seu rosto e percebe nos músculos da face a tensão real da situação, vendendo a cena que funcionaria até mesmo sem trilha sonora. Vale destacar a peripécia insana, narrativamente densa, captada em incrível plano sequência, em que Cruise pula de paraquedas de um avião, batendo o recorde a mais de sete mil metros.

Tudo poderia ser em vão caso o antagonismo não funcionasse na trama. A presença imponente de Henry Cavill estabelece um vilão crível e, acima de tudo, ameaçador, algo que potencializa o efeito da catarse dos impressionantes trinta minutos finais. Apesar de longo, quase três horas, o ritmo é tão bem trabalhado, que você não sente o tempo passar, uma aula de como inserir reviravoltas verdadeiramente surpreendentes sem correr o risco de transformar o produto em uma autoparódia. Aos tolos que ainda nutrem preconceito com gêneros, amadureçam, sejam menos intelectualmente inseguros, “Efeito Fallout” é uma obra-prima!

Por: Octavio Carusso

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