Antes de conhecer alguém (disposto e disponível), de alguma maneira por aí, começar a enviar mensagens de saudades ou inesperadas às 15h ou fazer ligações só para ouvir a voz do outro, você precisa começar a se relacionar com você mesmo. Ao acordar, o seu gesto inicial é agradecer por ter acordado, fazer uma oração a Deus ou às deusas, olhar o Instagram, ir ao banheiro, escovar os dentes, tomar café?

Não importa o que seja, sempre temos os nossos rituais diários.

E quem você ama está disposto (a) a conhecer tudo isso? Conhecer todos os nossos processos é abrir-se para a vida, é vivê-los intensamente deixando que o outro participe e se aninhe dentro dos nossos laços e abraços. A pessoa que você ama ou deseja por perto sabe das caretas que faz nas crises de desespero ou ansiedade para disfarçar seus medos e angústias? Você escolheu alguém para manter do lado esquerdo do peito e ele (a) sabe da sua revirada de olho quando algo a (o) perturba ou causa aversão?

Começar um relacionamento com você é um processo que precisa do primeiro passo que envolve amor próprio. Ah, e também autoestima. Sem isso, ele não sobrevive ou cresce. Se conhecer é diário. Se não gosta de jiló ou porque teve uma experiência ruim com a comida ou ouviu falar, isso demonstrará muito sobre se conhecer.

Existe uma superficialidade nas pessoas pela preguiça atual afetiva que torna as relações práticas e rasas. Mas se conhecer leva tempo e profundidade.

Ouvi esses dias na balada ‘deixa eu cuidar de você’. Como vou deixar alguém cuidar de mim se eu nem conheço a pessoa? Se o meu processo de autoconhecimento ainda é limitado e anda em passos lentos? Aceitei o beijo no rosto como simpatia e gentileza, mas não é essa frase tão desejada por muitos que fará eu conhecer alguém de verdade. Antes a mim. Depois o outro.

Por: Caroline Nogueira Santana

Imagem de capa: Reprodução

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