
Quando pensamos em Alzheimer e demência, muitas pessoas imaginam apenas fatores genéticos ou envelhecimento natural.
Mas pesquisas recentes sugerem que certos medicamentos usados por milhões de pessoas podem estar ligados a um risco maior desses problemas cognitivos, sobretudo quando tomados por longos períodos.
Como medicamentos podem afetar o cérebro: o papel da acetilcolina
Um dos neurotransmissores mais importantes do cérebro é a acetilcolina — um químico que ajuda as células nervosas a se comunicarem e está diretamente ligado à memória e aprendizado.
Em condições como Alzheimer, os níveis de acetilcolina no cérebro tendem a diminuir naturalmente. Muitos tratamentos para essa doença tentam aumentar a acetilcolina, justamente para melhorar os sintomas de memória.
Mas existe um grupo de medicamentos conhecidos por bloquear a ação da acetilcolina no cérebro. Eles são chamados de medicamentos com efeito anticolinérgico — e estudos observacionais descobriram que o uso prolongado desses remédios pode estar associado a um risco maior de desenvolver demência ou Alzheimer no futuro.
Quais medicamentos podem ter esse efeito?
Medicamentos com efeito anticolinérgico são usados para tratar diversas condições e podem incluir:
- Alguns antidepressivos: especialmente os tricíclicos (como amitriptilina).
- Remédios para bexiga hiperativa e problemas urinários: usados principalmente por idosos.
- Antihistamínicos antigos (primeira geração): Dexclorfeniramina, Prometazina e Difenidraminausados são alguns dos usados para alergias e resfriados — por exemplo, medicamentos como Benadryl, que podem atravessar a barreira hematoencefálica e afetar neurotransmissores no cérebro.
Esses medicamentos atuam bloqueando receptores de acetilcolina, reduzindo sua ação no cérebro. Por isso, eles podem causar confusão, dificuldade de concentração e problemas de memória a curto prazo — efeitos que, se prolongados por anos, podem estar associados a um risco maior de demência.
O que a ciência mostra
Uma grande análise que combinou dados de mais de 1,5 milhão de pessoas observou que o uso de medicamentos anticolinérgicos está associado a um aumento no risco de desenvolver Alzheimer e demência, e que esse risco parece crescer conforme maior a exposição acumulada a esses medicamentos.
Outro estudo de longo prazo encontrou que pessoas que tomaram medicamentos anticolinérgicos durante cerca de três anos ou mais tinham riscos significativamente maiores de demência em comparação com aquelas que não usaram esses remédios.
É importante notar que esses estudos geralmente mostram associação, não necessariamente causalidade — ou seja, não se pode afirmar com certeza que os medicamentos “causam” Alzheimer, mas o risco parece ser maior entre quem usa esses remédios por longos períodos.
O que isso significa para você?
Não pare de tomar nenhum medicamento sem falar com um médico antes.
Converse sempre com seu profissional de saúde sobre os riscos e benefícios de qualquer remédio que você esteja usando — especialmente se for um medicamento com efeito anticolinérgico ou se você já tiver fatores de risco para demência.
Profissionais de saúde podem oferecer alternativas com menos impacto sobre a função cognitiva, ajustar doses ou considerar outras abordagens de tratamento.
Cuidar da mente hoje protege o futuro
Embora muitas vezes a atenção esteja centrada apenas no tratamento imediato de sintomas físicos ou psicológicos, é essencial pensar em saúde cerebral a longo prazo. Alzheimer e outras demências representam desafios enormes para milhões de famílias no mundo, e reduzir riscos sempre que possível é uma estratégia inteligente.
Lembrar que a prevenção começa com escolhas informadas — inclusive sobre os medicamentos que usamos — pode fazer toda a diferença na jornada de envelhecimento com qualidade de vida.
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