Já existem vários textos por aí sobre a crise existencial que esta geração anda a viver. Pensando eu, com minha mente a turbilhão de pensamentos constantes ao invés de me concentrar na matéria de processo civil com prova daqui a quatro dias, eu paro e abro o Word para tentar por meus pensamentos no papel e ver se estou sã ou completamente pirada. Ocorre que hoje em dia com esse turbilhão de novidades e informações nos deparamos sempre a nos perguntar o que andamos a fazer de construtivo e não se acha respostas. Não sei quem consegue compor a esta resposta da melhor maneira possível e ao mesmo tempo reler com os olhos entusiasmados.

Eu sou uma jovem de 25 anos que já passou por várias coisas nessa vida, assim como outros milhares de pessoas e o meu grande defeito é pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, sendo de uma euforia tão grande que os meus dedos se atropelam neste teclado, sem saber o que escrever primeiro e sem deixar fugir o que quero escrever logo. Bom… não sei se contei, mas sou geminiana também… um cargo e um peso muito difícil de conviver. Adoro e ao mesmo tempo ao passar de meros minutos já nem gosto tanto, a dúvida e a certeza tão de pressa que chega a assustar as vezes. Tão sabia que chega a anojar quem escuta e por vezes tão estupida que chega a ser chato.

“(…) ao chegares no topo depois de todos os delírios psicológicos veio a paisagem e a calmaria mais incrível possível naquele momento.”

Mas continuando com os alinhares dos meus pensamentos chego a conclusão que a vida é como as subidas e descidas da cidade em que moro, Porto em Portugal. Onde são de uma vasta subida interminável com umas descidas emocionadas e tão ligeiras, Ora essa que me refiro também em uma roda gigante do parquinho, onde estamos bem vestidos, bem acompanhados, provavelmente comendo algo adorável ao nosso paladar infantil e nos deparamos com aquelas subidas onde vai dando uma dorzinha no nosso estomago e aos poucos vai piorando, fazendo com que a ideia de desistir seja a maior coisa que queres, negando e retraindo a vontade do êxito e o almejado, ocorre meu caro amigo que ao chegares no topo depois de todos os delírios psicológicos veio a paisagem e a calmaria mais incrível possível naquele momento. Logo o seu espirito de desbravador chega e controla-te, pensando como eu fui tolo de pensar em desistir…Meu caro, é com todos esses devaneios e esta singela apresentação em que abro o jogo para falar das histórias e escolhas em que nos meros seres humanos fazemos com o nosso livre arbítrio.

O mais engraçado é com todas essas subidas e descidas que a vida tem consigo é que para aqueles em que a característica é sempre querer mais e mais do que tem. Onde todas as conquistas depois de alcançadas não tem mais graça e todo aquele esforço e ambição não fazem mais sentido e tu se encontra frustrado por não saber qual será os novos passos a dar, consequentemente causando uma grande frustração. Eu já li inúmeros relatos sobre o que esta ocorrendo nesta geração, chamando-as de hippies urbanos, onde não se encaixam nos paradigmas opostos pela sociedade ou pelo clã familiar. São livres como os pássaros que não estão em cativeiros… dizem que são invejados por muitos e acompanhados por poucos, pois muitos têm medo das escolhas mau feitas ou das simples escolhas que diferenciam suas rotinas e costumes.

“O tempo… é a melhor coisa que existe para curar todos os tipos de dores de cabeça ou até dores profundas (…)”

Ora, estou eu pensando e pensando por várias vezes no meu dia-a-dia e tendo milhares de coisas para escrever, mas tantas dúvidas ao mesmo tempo, que se observadas são tão simples como uma pintura do arco íris e ao mesmo tempo significativa como um eu te amo de um parente distante. As vezes pensamos demais e isso nos desgasta, esgota o nosso físico e detona a nossa mente. Vamos tentar evoluir e pacificar as nossas angustias. Problemas são espécies de obstáculos que o espírito santo, nos coloca a frente. Quando se chega uma coisa dessas, parais e pensais o propósito do mesmo. Sempre há um motivo e uma maneira de solucionar. O tempo… é a melhor coisa que existe para curar todos os tipos de dores de cabeça ou até dores profundas, deves estar se murmurando baixinho “que coisa mais clichê”… e é verdade, é muito clichê mas é a mais pura verdade. Tempo é melhor que neosaldina.

As crises vêm e vão, que nem em um ioiô, mero jogo de criança onde nos perguntamos, what is my problem? I dont know… o eu não sei acaba se tornando uma frase muito usada hoje em dia. A gente constrói e destrói ao mesmo tempo coisas presentes e até mesmo futuras. Meu caro eu não sei o que é o mais politicamente correto a se fazer nessa nova era, onde coisas tão simples se transformam em duplos sentidos com PHD. Eu não sei mais me expressar da forma mais favorável aos ouvidos dos outros. Eu não sei mais se minhas escolhas e atitudes estão a deixar meu pai e minha mãe orgulhosos, eu não sei mais onde estou, onde quero chegar e por que caminho devo ir. O que sei é que quero ser muito livre de frustrações, negatividade e que o arrependimento não seja um motivo pela minha insônia a noite. E que toda a retrospectiva anual me enche de orgulho e alívio por não cair no comodismo, do qual eu tento me livrar diariamente, onde na rotina em que se encontramos é dificílimo conseguir se manter firme e ao mesmo tempo estrategista para não cair na comodidade, em que aquele teu velho amigo se encontra no emprego a nove anos a sempre reclamar do chefe, coisa clássica de se acontecer e o mesmo não ter capacidade de enfrentar esse obstáculo de forma construtiva, não conseguindo dar um passo a diante e dizer para si mesmo que mereces mais do aquela seguridade, cartão refeição e plano de saúde furada. Livrai-me de tudo isso e que eu possa e queira a verdadeira mudança e crescimento na minha vida. É como se o nosso mantra interno se coligasse com os dos alcoólicos anônimos, “Só por hoje”.

Por: Luana Martins

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Luana Martins
É Gaúcha, geminiana e mestranda em Direito Civil. Ouve MPB e idolatra a canção do Zé Ramalho- chão de giz. Ama estar em horizontal para poder dormir e todo tipo de comida que tem excesso de gorduras. Não vai a enterros, tem medo de ser desempregada e das rugas de expressões. Fala sozinha e erra sempre os nomes das pessoas, é vergonhoso.