O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, não costuma surgir por causa de um único alimento ou de uma única refeição. Seu desenvolvimento envolve uma combinação de fatores, incluindo idade, histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e hábitos alimentares mantidos durante anos.
Alguns produtos que aparecem com frequência na rotina podem estar associados a um aumento do risco de câncer colorretal. Por isso, mais importante do que procurar um único “vilão” é entender quais escolhas devem ser reduzidas e quais alimentos podem fazer parte de uma alimentação mais protetora.
Portanto, neste artigo, iremos compartilhar quatro alimentos comuns que podem aumentar o risco de câncer de intestino e um deles você consome regularmente.
1. Carne processada: o alimento que merece mais atenção
Salsicha, linguiça, presunto, mortadela, bacon e outros produtos semelhantes pertencem ao grupo das carnes processadas.
Esse é um dos pontos em que a evidência científica é particularmente consistente. Organizações internacionais de pesquisa em câncer apontam uma associação entre o consumo de carne processada e o aumento do risco de câncer colorretal.
No entanto, não significa que você comer uma dessas carnes ocasionalmente vá provocar câncer. O problema está principalmente no consumo frequente e habitual.
De acordo com dados reunidos pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), o risco de câncer colorretal aumenta proporcionalmente ao consumo de carne processada. Uma estimativa utilizada em suas análises aponta aumento de aproximadamente 16% no risco para cada 50 gramas consumidas diariamente.
Por isso, substituir parte desses produtos por alimentos como feijão, lentilha, ovos, peixe, frango ou outras fontes de proteína pode ser uma mudança interessante na alimentação.
2. Álcool: até o consumo considerado “social” merece atenção
Muitos acreditam que somente quem bebe grandes quantidades de álcool precisa estar em alerta. Contudo, a relação entre álcool e câncer colorretal é mais complexa.
O consumo de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de câncer colorretal, e estudos apontam uma relação dose-resposta: de modo geral, quanto maior o consumo, maior tende a ser o risco.
O organismo transforma o álcool em substâncias que podem causar danos celulares, entre outros mecanismos envolvidos no desenvolvimento do câncer. Por isso, do ponto de vista da prevenção do câncer, organizações especializadas recomendam limitar o consumo de álcool, sendo a opção mais segura para prevenção não beber. Ou seja: aquela bebida que aparece apenas no fim de semana não deve ser encarada como algo completamente sem consequências para a saúde.
3. Ultraprocessados: o problema pode estar no conjunto da alimentação
Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, doces, refeições prontas e diversos produtos industrializados fazem parte da categoria dos alimentos ultraprocessados. Porém, é importante ressaltar: nem todo alimento ultraprocessado apresenta exatamente o mesmo perfil nutricional ou o mesmo impacto na saúde.
O que preocupa é uma alimentação baseada em grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gordura, sal e calorias e pobres em fibras e nutrientes.
O World Cancer Research Fund recomenda limitar alimentos altamente processados, especialmente aqueles ricos em gordura, amido ou açúcar, e priorizar alimentos minimamente processados. Além disso, uma dieta com poucos alimentos vegetais pode significar menor consumo de fibras e isso importa bastante quando falamos em saúde intestinal.
4. Excesso de açúcar: o problema pode estar no padrão alimentar
O açúcar refinado costuma aparecer nas listas de alimentos que devem ser consumidos com moderação.
O consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos ricos em açúcar pode contribuir para excesso de calorias, ganho de peso e obesidade. O excesso de gordura corporal, por sua vez, é reconhecido como um fator associado a diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal.
Por isso, reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas, doces e outros produtos ricos em açúcares adicionados pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção. O objetivo não precisa ser eliminar completamente o açúcar da alimentação, mas evitar que produtos muito açucarados ocupem espaço excessivo na dieta.
O que colocar no prato para proteger o intestino?
Quando o assunto é prevenção do câncer colorretal, não basta falar sobre aquilo que deve ser reduzido. Também é importante olhar para o que deve aparecer com mais frequência no prato.
Existe forte evidência de que o consumo de fibras e cereais integrais está associado a um menor risco de câncer colorretal. Frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia e outros alimentos ricos em fibras podem ajudar a aumentar a qualidade da alimentação.
Uma recomendação do World Cancer Research Fund é buscar aproximadamente 30 gramas de fibras por dia, principalmente por meio dos alimentos.
Câncer de intestino não aparece por causa de uma única refeição
Comer um cachorro-quente, uma sobremesa ou tomar uma bebida alcoólica ocasionalmente não significa que uma pessoa terá câncer. O risco é influenciado pelo conjunto dos hábitos mantidos ao longo do tempo, além de fatores que não podem ser modificados, como idade e histórico familiar.
A boa notícia é que parte dos fatores relacionados ao estilo de vida pode ser modificada.
Uma alimentação mais rica em fibras, frutas, vegetais e cereais integrais, associada à prática de atividade física e ao controle do peso, pode contribuir para reduzir o risco de câncer colorretal. E existe outro ponto que não deve ser ignorado: prevenção também envolve acompanhamento médico e rastreamento quando indicado para a idade e o risco individual.
Por isso, em vez de esperar que algum sintoma apareça, vale conversar com um profissional de saúde sobre quando iniciar o rastreamento do câncer colorretal.
Imagem de Capa: Canva/Sábias Palavras