
Você já percebeu que, enquanto algumas pessoas estão confortáveis em uma sala com ar-condicionado, outras estão tremendo, usando casaco e reclamando da temperatura? Mas isso não acontece apenas em locais refrigerados, pode ser em qualquer ambiente.
Essa diferença não é exagero, frescura ou “drama”. Existe uma explicação científica clara para isso — e ela vai muito além da simples percepção pessoal.
A sensação de frio está diretamente ligada à forma como o corpo regula a própria temperatura, um processo conhecido como termorregulação, onde o organismo humano mantém a temperatura interna próxima de 36,5°C a 37°C.
Quando o ambiente está mais frio, o corpo reage reduzindo a circulação sanguínea nas extremidades e aumentando a produção de calor. No entanto, essa resposta varia de pessoa para pessoa.
Um dos principais fatores é o metabolismo basal. Pessoas com metabolismo mais acelerado produzem mais calor naturalmente. Isso significa que alguém com maior taxa metabólica tende a se manter aquecido com mais facilidade. Já indivíduos com metabolismo mais lento podem sentir frio com maior intensidade, mesmo no mesmo ambiente.
Outro fator importante é a composição corporal. A gordura corporal funciona como isolante térmico. Pessoas com maior percentual de gordura tendem a conservar melhor o calor. Em contrapartida, indivíduos com menor percentual de gordura — especialmente pessoas muito magras — podem sentir mais frio porque possuem menos “isolamento” natural.
A questão hormonal também desempenha papel central. Alterações na tireoide, por exemplo, influenciam diretamente a sensibilidade ao frio. O hipotireoidismo, condição caracterizada pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos, reduz o metabolismo e pode aumentar significativamente a sensação de frio. Estudos clínicos mostram que a intolerância ao frio é um dos sintomas mais comuns desse distúrbio.
Além disso, o sexo biológico também influencia. Pesquisas indicam que mulheres, em média, tendem a sentir mais frio do que homens no mesmo ambiente. Isso ocorre por diferenças hormonais, menor massa muscular e variações na circulação periférica. Além disso, o hormônio estrogênio pode afetar a regulação térmica, aumentando a sensibilidade ao frio.
A circulação sanguínea é outro elemento-chave. Pessoas com condições como fenômeno de Raynaud apresentam vasoconstrição exagerada nas extremidades, o que causa mãos e pés gelados mesmo em temperaturas moderadas. A qualidade da circulação impacta diretamente a forma como o calor é distribuído pelo corpo.
A idade também influencia. Idosos tendem a ter menor eficiência na regulação térmica, o que pode aumentar a sensação de frio. Por outro lado, crianças pequenas também perdem calor com mais facilidade devido à maior relação entre área corporal e peso.
Além dos fatores físicos, existe ainda a adaptação ambiental. Pessoas que vivem em regiões mais frias desenvolvem maior tolerância térmica ao longo do tempo. O corpo se ajusta progressivamente às condições climáticas habituais.
Sentir mais frio do que os outros não significa fraqueza ou exagero. É uma resposta fisiológica individual, moldada por genética, hormônios, composição corporal, metabolismo e até hábitos de vida.
Se você é alguém que vive procurando um casaco enquanto os outros parecem confortáveis, saiba que existe uma explicação científica real para isso. Entender o próprio corpo é o primeiro passo para cuidar melhor da saúde — e parar de achar que é “coisa da sua cabeça”.
Imagem de Capa: Sábias Palavras

