
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de alerta sobre os riscos potenciais das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis que imitam o hormônio GLP-1 e se tornaram populares para perder peso com pouca comida ou sem orientação médica.
O órgão regulador informou que, entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de eventos adversos relacionados ao pâncreas, incluindo seis mortes que estão sob investigação por possível associação com o uso desses medicamentos.
Esses medicamentos — que incluem substâncias como semaglutida (Ozempic, Wegovy), tirzepatida (Mounjaro, Zepbound), liraglutida (Victoza, Saxenda) e dulaglutida (Trulicity) — são aprovados pela Anvisa principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 ou, em casos específicos e sob supervisão médica, para controle de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso com comorbidades.
Por que o alerta foi emitido agora?
A agência explicou que o número de notificações de casos suspeitos de pancreatite aguda aumentou nos últimos anos, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
Desta forma, o fenômeno observado no Brasil reflete uma tendência global: autoridades de saúde em outros países, como o Reino Unido, registraram centenas de notificações de pancreatite e várias mortes associadas ao uso de medicamentos da mesma classe. Isso reforça a necessidade de vigilância e prescrição cuidadosa.
O que é pancreatite?
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão essencial para a digestão dos alimentos e para o controle dos níveis de açúcar no sangue, por meio da produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina.
Essa condição pode se manifestar de forma aguda, surgindo de maneira súbita e intensa, ou crônica, quando a inflamação é persistente e progressiva. Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal forte e contínua, geralmente na parte superior do abdômen e que pode irradiar para as costas, além de náuseas, vômitos, febre e mal-estar geral.
De acordo com informações da Anvisa e de órgãos de saúde, a pancreatite pode variar de quadros leves a casos graves, com risco de complicações sérias e até morte, especialmente quando não diagnosticada e tratada rapidamente.
As canetas podem realmente causar pancreatite?
A Anvisa destacou que essas notificações não significam necessariamente que o medicamento causou diretamente a pancreatite ou as mortes suspeitas, mas que existe uma associação que precisa ser avaliada cuidadosamente por equipes técnicas.
Por isso, os casos continuam sob investigação para entender fatores como interações medicamentosas, condições de saúde subjacentes e uso fora das indicações aprovadas.
Uso correto importa: a agência reforça que esses medicamentos devem ser usados apenas conforme indicado na bula e com prescrição e acompanhamento médico habilitado. O uso indiscriminado ou fora das orientações médicas, especialmente para fins estéticos, pode aumentar os riscos e dificultar o diagnóstico precoce de complicações graves.
Para tentar reduzir casos de uso inadequado, desde junho de 2025 a Anvisa passou a exigir a retenção da receita médica nas farmácias para a venda das canetas emagrecedoras, semelhante ao que já existe para antibióticos.
A receita médica deve ser apresentada em duas vias, com validade de até 90 dias. Essa medida tem como objetivo controlar melhor a dispensação e evitar uso sem supervisão clínica.
É importante que qualquer pessoa que utilize essas canetas emagrecedoras esteja atenta a sinais de alerta de pancreatite, como dor abdominal intensa que pode irradiar para as costas, náuseas, vômitos ou febre. Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Apesar do alerta e das investigações em andamento, a Anvisa afirma que não houve alteração na relação entre risco e benefício desses medicamentos quando usados corretamente, ou seja, eles continuam sendo eficazes dentro das indicações aprovadas, desde que usados com a orientação de um profissional de saúde qualificado.
Mesmo medicamentos com benefícios comprovados precisam ser utilizados com cuidado, responsabilidade e sob supervisão médica — e nunca como uma solução rápida sem considerar riscos potenciais.
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