3 sinais de que uma pessoa com Alzheimer pode estar no “fim da vida”: o que os familiares precisam saber

Quando alguém que amamos chega aos estágios avançados do Alzheimer, pequenas mudanças na rotina podem ganhar um significado completamente diferente. A pessoa que antes conversava, caminhava ou fazia determinadas atividades pode começar a apresentar alterações que assustam profundamente a família.

Para quem está cuidando, entender o que pode acontecer nessa fase não significa perder a esperança. Pelo contrário: informação pode ajudar a reduzir o medo, reconhecer sinais de fragilidade e, principalmente, oferecer mais conforto e dignidade à pessoa amada.

É importante destacar que nenhum desses sinais, isoladamente, permite afirmar que a morte acontecerá em determinado momento.

Pessoas com Alzheimer podem apresentar mudanças semelhantes por diferentes motivos, incluindo infecções, efeitos de medicamentos, desidratação ou outras complicações. A avaliação de médicos e profissionais de cuidados paliativos é fundamental.

Ainda assim, organizações de referência, como o National Institute on Aging (NIA) e a Alzheimer’s Society, descrevem algumas alterações frequentes quando a demência está em estágio muito avançado ou quando a pessoa se aproxima dos últimos dias ou horas de vida.

1. A pessoa passa a dormir muito mais

Uma das mudanças que pode chamar a atenção da família é o aumento significativo do sono e da sonolência.

Nos estágios finais, o organismo pode estar cada vez mais debilitado, fazendo com que a pessoa permaneça na cama por longos períodos e tenha menos energia para interagir com o ambiente.

Em alguns casos, ela pode ficar acordada durante pouco tempo, voltar a dormir e, progressivamente, apresentar períodos maiores de inconsciência. Este aumento da sonolência e a redução da energia são mudanças comuns durante as últimas horas ou dias de vida.

No entanto, dormir mais não significa necessariamente que a pessoa esteja morrendo. Distúrbios do sono também são frequentes em pessoas com Alzheimer, portanto é preciso observar o conjunto de alterações e conversar com a equipe de saúde.

2. A alimentação diminui e engolir pode se tornar difícil

Outro sinal que pode ser doloroso para os familiares é perceber que a pessoa já não demonstra o mesmo interesse pela comida.

Nos estágios avançados do Alzheimer, podem surgir dificuldades para mastigar e engolir. A pessoa também pode perder o apetite, comer apenas pequenas quantidades ou não demonstrar vontade de se alimentar.

De acordo com o NIA, a perda de interesse pela comida pode aumentar à medida que o Alzheimer avança. A dificuldade para engolir também pode elevar o risco de engasgos e de alimentos ou líquidos chegarem aos pulmões.

Quando alguém está realmente nos últimos momentos da vida, a redução da necessidade de comida e bebida pode fazer parte do processo natural de morrer.

O organismo já não funciona da mesma maneira e passa a precisar de menos energia. O NHS explica que, nessa fase, a pessoa pode não querer comer ou beber e pode ter dificuldade para engolir.

Isso pode ser extremamente angustiante para quem cuida. Mas tentar obrigar a pessoa a comer pode causar desconforto ou até aumentar o risco de engasgo. A melhor conduta deve ser discutida com a equipe responsável pelo atendimento.

3. A respiração muda e pode ficar irregular

Entre as alterações que mais assustam os familiares estão as mudanças no padrão respiratório.

Quando a morte está próxima, a respiração pode deixar de apresentar um ritmo regular. Podem ocorrer períodos de respiração mais superficial alternados com respirações profundas e, posteriormente, pausas. Também pode surgir um som úmido ou parecido com um ronco, provocado pelo acúmulo de secreções nas vias respiratórias.

Esse tipo de alteração é descrito tanto pelo NHS quanto pelo National Institute on Aging como possível característica dos últimos momentos da vida.

Para quem está ao lado da cama, ouvir esses sons pode ser assustador. Porém, o barulho da respiração nem sempre significa que a pessoa esteja sofrendo. O objetivo da equipe de saúde nessa fase é avaliar possíveis desconfortos e utilizar medidas adequadas para proporcionar tranquilidade.

O que a família deve fazer diante desses sinais?

Talvez a parte mais difícil seja entender que esses sinais não devem ser interpretados como uma contagem regressiva. O processo de morrer varia muito de uma pessoa para outra. Mesmo em pessoas com Alzheimer avançado, é impossível determinar apenas pelos sintomas exatamente quanto tempo resta.

Se houver uma mudança repentina na respiração, dificuldade importante para engolir, agitação, sinais de dor, febre ou qualquer alteração que preocupe a família, é importante entrar em contato com o médico ou com a equipe que acompanha o paciente.

Nessa etapa, o foco deixa de ser apenas prolongar tratamentos e passa a incluir algo igualmente importante: aliviar sofrimento, controlar sintomas, preservar a dignidade e oferecer conforto. Cuidados paliativos podem ajudar tanto a pessoa doente quanto seus familiares durante esse período.

Para quem está vivendo essa situação, sentir tristeza, medo, impotência ou até culpa é compreensível. Mas estar presente também é uma forma poderosa de cuidado. Segurar a mão, falar com calma, manter o ambiente tranquilo e respeitar o ritmo da pessoa podem ser atitudes importantes.

No fim da vida, nem sempre existem palavras capazes de mudar o que está acontecendo. Mas informação, presença e cuidado podem fazer com que esse momento seja vivido com mais serenidade e menos sofrimento para todos.

Imagem de Capa: 





Márcia Lourenço
Formada em Nutrição e apaixonada pela profissão, encontro na escrita uma forma de expressão e conexão. Na criação de conteúdo do Sabias Palavras, abordo temas como saúde, bem-estar, relacionamentos e temas divertidos e de reflexão, sempre com uma abordagem humana.