Desculpa se te amo

Quer dizer…não sei se amor, mas reconheço que te quero muito bem. A gente se conhece há apenas dois meses ou um pouco mais, eu sei. Pouco tempo, não? Talvez. No começo eu nem ligava, assumo. Era só sexo. Fogo, tesão, satisfação de estar contigo entre quatro paredes. E a gente deitava e rolava de madrugada no colchão de um motel barato. Pegar uma suíte com hidromassagem pra que? Isso é romântico demais. Será? Não queríamos nos apegar e assumir um papel de casal que se ama, então fizemos o seguinte pacto: não vamos nos envolver um com o outro. Melhor eu não te olhar muito nos olhos enquanto converso contigo. Prefiro não dizer que adoro sua presença, o seu cheiro e o toque suave da sua pele, pois há o risco de você se assustar e fugir de mim, afinal, nosso pacto deve ser seguido à risca. Que ironia. Será que somos tão inatingíveis como imaginamos? Será que eu cumpri a promessa de não criar um vínculo contigo, de ser sempre gelo após horas de incêndio no colchão?

Cara, eu adoro o seu sorriso branquinho e os seus lábios carnudos. Adoro quando ri de uma idiotice que digo, pois você sabe que sou uma boba alegre que adora rir da vida, de si mesma e de vídeos de stand-up no youtube. Eu amo quando você lembra de mim assim que acorda para mais um dia de trabalho. Você é inteligente, esforçado e mereceu conquistar o cargo que você tanto almejara. Parabéns. Adoro quando você, sem querer, quase rompe o que juramos no início: não se envolver. Só que você lembra que é bom demais pra amar. ”Amar pra que? Pra sofrer? Pra mal começar e já terminar?”, seus olhos vivem questionando tudo isso. Você não diz, mas sou capaz de ler várias coisas em seu olhar cabreiro. Me come com os olhos quando me vê, me elogia e me tem em seus braços, a fim de garantir a satisfação do próprio prazer.

Depois do prazer você foge de mim receoso. Olhos saltados, recolhe seus trajes do chão e quase veste a camisa pelo lado do avesso. Você quer ir embora logo, não quer reparar no que não digo. Me deixa na porta de casa, se despede: ”tchau, a noite foi ótima, se cuida, tá?”. Igualmente pra você, eu falo, e a gente se dá um selinho sem graça pra caralho. Um beijinho sem tempero, o qual leva por água a baixo todas as quatro horas que passamos satisfazendo nossos instintos.

Vou te confessar uma coisa: eu não cumpri nossa promessa. Desculpa se rio alto e me entrego ao embaraço quando estamos a sós. Foi mal por ser fraca e pouco inteligente. Desculpa por eu ter dito que você me faz tão bem e que o que sinto não é somente carinho. Estou apaixonada por ti e ao mesmo tempo te amando. Te amo quando pergunto, todos os dias, se você chegou bem em casa. Te amo quando sei o que está se passando pela sua cabeça, sem você dizer nada. Te amo quando não durmo enquanto você não adormece primeiro.

Sou apaixonada por ti quando você satisfaz os meus desejos com um sorriso imenso nos lábios e um puta orgulho no olhar. Desculpa por eu ter me permitido fazer de você uma pessoa especial, não mais que meus pais, mas um alguém extraordinário. Pode fugir. Corre pros braços da vida. Espera o tormento passar e me esquece (eu sei que você me esquecerá rápido). Quanto a mim, mais um desamor, só pra variar. Tudo bem, não irei me vitimizar. Prefiro não sabotar o que sinto e me permitir amar e ser amada, me apaixonar e ser a paixão de alguém. Amor e paixão vinculados, coisa linda de se ver.

Escrito por Flávia Jaine, colunista do Sábias Palavras

FONTESábias Palavras
TEXTO DEFlávia Jaine
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