Como a minha vida seria se eu não tivesse te encontrado

Escrito por Paulinho Rahs, colunista do Sábias palavras.
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Esse texto podia ter terminado com uma resposta simples pra pergunta do título. Contudo, vamos ser sinceros: Como a minha vida seria se eu não tivesse te encontrado? 

Cinza.

Esse texto podia acabar com apenas cinco letras e um ponto final. Seria uma explicação simplória, porém aproximada, de como a minha vida seria se eu não tivesse te encontrado. Acho engraçado, até mesmo irônico, dizer isso porque eu não acho cinza uma cor feia. Minhas camisetas prediletas daquelas bandas malucas que eu quero que você escute comigo são cinzas. A cor do meu carro que tem tanta história nossa pra contar é cinza. Mas é isso: as pessoas criaram essa estigma de que cinza não é bom; é a cor da monotonia, da tristeza, dos depressivos dias nublados. Nunca me esqueci que naquela noite em que te convenci a vir até a minha casa pra beber vinho e começar a nossa história foi um longa tarde cinza com nuvens no céu que simplesmente não passou pra mim. Foi uma interminável espera até o interfone tocar, eu descer lá no portão pra te buscar e tentar engatar uma conversa contigo – sempre pouco falante – a despeito da hipnose vinda da cor dos teus olhos que eu já descolori de tanto falar a respeito.

Esse texto podia ter terminado com uma resposta simples pra pergunta do título. Contudo, vamos ser sinceros: Como a minha vida seria se eu não tivesse te encontrado?

Caramba…

Um arrepio cruzou minha espinha, calafrios intermináveis resultam desse tipo de pensamento. Eu não vejo a hora de terminar isso aqui, explicar de uma vez e nunca mais pensar nesse tipo de coisa.

Não tem como explicar isso com um simples ‘cinza’. Minha vida sem a tua presença, bom, sei lá! Antes de ti eu até conseguia viver tranquilamente, achando que era feliz, achando que um dia ia encontrar alguém que se desse certo seria legal mas se desse errado seria normal, acontece com todo mundo né? Só que não. Não existe como pensar nisso agora. Eu divido meu tempo de existência – durante as intermináveis horas em que quero voltar no tempo – da seguinte forma: tudo que eu poderia ter feito antes de ti e tudo que eu posso fazer agora que estou contigo. Porque convenhamos: não rola, não dá. É por ti, é doidera, é quase obsessão. A cada dia eu acordo e quero ser melhor. Quero ser o melhor em tudo que eu me dispor a fazer pra simplesmente dedicar a conquista pra ti. Como você vê, eu tenho conseguido coisas muito legais. Me empenhado nos meus sonhos e dando largos passos rumo a algumas conquistas.

Me surpreendo quando penso que antes de ti era só tempo perdido. Era tudo desculpa pro bar, pra beber um pouco mais, pra fazer festa a semana toda. Não que isso fosse ruim, mas me dei conta que a vida é maior que minha desregrada e divertida vida podia me proporcionar. Porque uma hora o tempo passa, a diversão acaba, os amigos têm compromissos e não vem mais pra noite, os amores já partiram pra outros corações. E eu ia parar onde? Com um milhão de sonhos não realizados e a disposição perdida por aí.

Meu mundo seria outro e eu não seria eu. O sonhador que enxerga tudo colorido não estaria aqui tentando colorir o mundo e você não seria minha.

Nada ia fazer sentido, tampouco seria cinza. Porque cinza até é bonito. Horrível seria a minha vida se eu não tivesse te encontrado.

Escritores-01

TEXTO DEPaulinho Rahs
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