Reflexão

Mãe recebe órgão de filho que morreu em acidente: “Deixou um presente”

Uma mulher de 37 anos aguardava na fila para um transplante de rim desde 2018. E quase 5 depois, recebeu o órgão, só que do próprio filho que morreu em um acidente de moto em Araçatuba, interior de São Paulo.

O jovem Kauan Farias, de 20 anos, não resistiu após bater a moto que pilotava e foi o doador dos órgãos para a própria mãe.

A batalha de Graziele Farias começou em junho de 2018, quando permanecer 45 dias internada no hospital, devido a uma crise severa de hipertensão. Depois disso, a paciente descobriu que precisava fazer hemodiálise, pois os seus rins tinham parado de funcionar.

Com as complicação do estado de saúde da sua mãe, Kauan assumiu a responsabilidade de ajudá-la em todas as tarefas diárias, além de acompanhá-la três vezes por semana nas sessões de hemodiálise.

Diante do sofrimento da mãe, o filho queria doar um rim para vê-la livre das máquinas e da rotina no hospital, entretanto, na época ele ainda era menor de idade e não podia fazer a doação, pois a legislação diz que o doador precisa ter acima de 23 anos.

Após o trágico acidente de moto, Kauan teve morte encefálica confirmada pela equipe médica da Santa Casa de Araçatuba, São Paulo, e a família autorizou a doação de órgãos – mesmo sem saber que os rins poderiam ser destinados à mãe do rapaz.

No dia seguinte da fatalidade, a mulher recebeu uma ligação do hospital que dizia: “Vem receber o rim do seu filho”.

Um dos rins do jovem de 20 anos, que teve os órgãos captados na Santa Casa, foi doado para a própria mãe do rapaz.

Após confirmado as duas etapas de compatibilidade para o transplante, Graziele aceitou e passou pelo transplante de rim doado pelo próprio filho no Hospital das Clínicas de Botucatu, São Paulo.

“Ela quis ter para sempre dentro dela um pedacinho do filho. Em meio a toda a dor, tivemos essa a boa notícia de que minha irmã estava em condições de fazer a cirurgia”, conta Nayara Furquim do Amaral, tia do jovem.

Graziele segue internada para se recuperar do transplante, considerado bem-sucedido e sem intercorrências pelos profissionais responsáveis por realizá-lo.

De acordo com a legislação que normatiza os transplantes no país, os parentes que estejam na fila de espera têm prioridade em relação aos órgãos de um familiar que se tornou doador após morte encefálica.

Fonte G1

Imagem de Capa: Reprodução/G1

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