Ela escutou tudo que sua amiga tinha a dizer após ter terminado um namoro de cinco anos, no qual havia muitas brigas, ameaças, ciúmes, falta de companheirismo e de sinceridade. A conselheira alertou que se for pra ter um relacionamento desse tipo, melhor ficar solteira, claro. Afinal, relacionamentos não tem o objetivo de nos tornar ainda mais felizes? Mas ela, a conselheira, também viveu um relacionamento cheio de mentiras, ciúmes e carente de parceria e, mesmo assim, decidiu seguir em frente já que ele era o ”amor de sua vida”.
Ela vive dizendo aos seus seguidores pra não terem medo de se entregar a paixão, pois sentimentos devem ser declarados e vividos. No entanto, ela esconde o que sente e não permite a si mesma a vulnerabilidade de estar apaixonada. Ela não se liberta para o sentido da vida: amar e ser amado.
A conselheira amorosa vive afirmando que o amor existe, é simples, belo, basta amar. Porém, ela tem dificuldade de enxergar e semear amor. Ela já leu vários romances, aprendeu muito com eles e faz um belo discurso de seus livros preferidos. Mas suas teorias imaginárias não ultrapassam a barreira de sua mente, ficam lá, guardadas, ansiosas pelo dia em que se tornarão reais.
Ela aprendeu muitos ensinamentos budistas sobre amor, apego, apreço e felicidade e transmite o pouco que sabe a quem lhe escuta ou lê. Porém, a conselheira não desenvolveu uma maturidade emocional pra diferenciar amor de apego. Ela quer que todos ao seu redor sejam felizes em seus relacionamentos -de acordo com tudo que ela diz- e fica contente quando lhe agradecem pelos conselhos que obtiveram resultados positivos.
A conselheira amorosa adora observar, estudar e criar teorias pro comportamento humano. Mas ela se observa pouco a fim de elaborar ideias sobre si mesma. Ela é comparada ao médico fumante que fala pros seus pacientes largarem o cigarro; ao nutricionista que não come frutas, verduras e legumes; ao educador físico sedentário e ao dentista que não escova os dentes pelo menos três vezes ao dia. Ela deseja amar e ser feliz? Sim. E por que não ama? Quem é ela pra falar de amor?
Por: Flávia Jaine
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