Tá difícil. Tá triste. Nossa história fez aquela curva que não esperávamos. Estamos num lugar sombrio e misterioso que até ontem parecia não existir. O seu corpo sofre e eu, uma extensão de você, sofro também. Mas não vou deixar que você desista.
Por nós vou até a feira buscar as frutas que você gosta, por nós vou arrancar um ou dois sorrisos seus, por nós vou gritar quantas vezes for necessário: vai dar tudo certo, amor, prometo.
“Afinal, pra onde eu vou se o meu corpo mora no seu?”
Você me olha murcho, quase não acredita que eu ainda esteja aqui. Você duvida e eu penso em comprar uma aliança. Tenho em cada poro do meu corpo a certeza de que é aqui que devo estar. Afinal, pra onde eu vou se o meu corpo mora no seu? Você chora e em cada lágrima vejo sair um pouco desse nosso caos. Chora mais? Você desconfia, mas eu anoto os afazeres, traduzo os exames e faço um drinque.
Hoje somos essa pausa em nós mesmos, somos nossas vísceras a céu aberto, mas o amanhã nos espera, amor! Tem a viagem em janeiro e aquele filho que, sim, vamos ter. Tem nós dois e nossos outros tantos que nos lambem.
“Vai dar tudo certo, amor”
E amanhã vai ser a minha vez de ajoelhar fraquejando por um motivo qualquer, e você, equilibrado e sereno, vai dizer de boca cheia a sua frase preferida que eu emprestei por uns tempo: “vai dar tudo certo, amor”.
Por: Lia Bock
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