Em setembro de 476 d.C., o último líder do Império Romano do Ocidente, Rômulo Augusto, foi renunciado por Odoacro, líder dos hérulos. Assim, marcando o início de um período caótico na Europa, conhecido como as “invasões bárbaras”.
Desse modo, os habitantes do norte da Itália, buscando refúgio dos visigodos e de conquistadores como Átila, rei dos hunos, começaram a construir uma das cidades mais bonitas e icônicas do mundo: Veneza.
Localizada em uma laguna, Veneza se estende por 550 km² e 118 ilhas, a apenas poucos centímetros acima do nível do mar.
No entanto, a ideia de construir uma cidade em um local tão inóspito parece insana. Porém, os engenhosos venezianos transformaram essa loucura em uma realidade colossalmente genial.
Para dar suporte às suas construções, os venezianos adotaram uma solução surpreendente: enterraram um bosque inteiro debaixo d’água. Portanto, eram usados troncos de 2 a 8 metros de comprimento.
Os troncos eram trazidos das áreas que hoje correspondem à Eslovênia, Montenegro e Croácia, e foram afiados em uma das extremidades e cravados na lama e no barro.
Contudo, uma das maiores proezas desta engenharia foi evitar a decomposição da madeira submersa. Submersos na água e cobertos pelo lodo, os troncos não tiveram contato com oxigênio, impedindo a ação de bactérias, fungos e outros organismos decompositores.
Além disso, a água rica em minerais da laguna contribuiu para a petrificação gradual dos troncos, garantindo sua durabilidade.
Dessa maneira, esses pilares de madeira submersos sustentam até hoje as magníficas edificações de Veneza. Com o passar do tempo, além da madeira, utilizou-se pedra para fortalecer as fundações.
A combinação dessas técnicas permitiu que a cidade crescesse e prosperasse, tornando-se a Sereníssima República de Veneza, um poderoso centro de comércio e cultura.
Por conta da engenhosidade dos antigos venezianos, o legado de Veneza perdura até os dias atuais. Por isso, os palácios e templos que parecem flutuar sobre a água continuam a encantar milhões de visitantes.
Percy Bysshe Shelley, poeta inglês, descreveu Veneza como “pedaços de encantamento empilhados”, uma descrição que ainda hoje ressoa verdadeiramente. A cidade, construída sobre lama e água, permanece um dos destinos turísticos mais admirados do mundo, um monumento à engenhosidade e à beleza atemporal.
Imagem de Capa: Canva
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