A água com gás costuma dividir opiniões. Enquanto algumas pessoas adoram a sensação refrescante das bolhas, outras evitam a bebida por acreditar que ela pode prejudicar os ossos, os rins, os dentes ou até aumentar a pressão arterial.
Mas será que essas preocupações realmente fazem sentido?
Muitos cometem o erro de colocar a água gaseificada no mesmo grupo dos refrigerantes. Apesar de ambas terem gás, a composição é completamente diferente. A água com gás pura, por exemplo, não contém açúcar, corantes ou os diversos aditivos presentes em muitos refrigerantes.
Para um adulto saudável, a bebida pode fazer parte da rotina de hidratação. Ainda assim, existem situações em que o gás pode provocar desconforto e, nesses casos, optar pela água sem gás pode ser uma escolha mais adequada.
Portanto, confira neste artigo, seis mitos mais comuns sobre água com gás e entenda o que realmente acontece no organismo.
Esse é um dos receios mais conhecidos, mas não há motivo para colocar a água gaseificada pura no mesmo nível dos refrigerantes de cola.
A preocupação com a saúde óssea costuma estar relacionada ao consumo frequente de determinados refrigerantes, especialmente aqueles que contêm cafeína, açúcar e ácido fosfórico. Esses produtos fazem parte de um padrão alimentar que pode ser prejudicial quando consumido em excesso.
A água com gás, por outro lado, é basicamente água à qual foi adicionado dióxido de carbono para produzir a carbonatação. Portanto, não existe evidência de que o simples fato de beber água gaseificada seja responsável por enfraquecer os ossos.
O mais importante para a saúde óssea continua sendo manter uma alimentação equilibrada e garantir nutrientes importantes, como cálcio e vitamina D, além de praticar atividade física regularmente.
Outro mito bastante difundido é que a água com gás poderia sobrecarregar os rins ou aumentar o risco de problemas renais.
Para pessoas saudáveis, porém, a água gaseificada contribui para a hidratação da mesma forma que a água sem gás. O organismo aproveita o líquido e os rins continuam desempenhando normalmente sua função de filtrar o sangue e eliminar substâncias pela urina.
É importante, entretanto, observar a composição do produto escolhido. Algumas águas gaseificadas possuem minerais naturalmente presentes ou adicionados, e pessoas com determinadas condições de saúde podem precisar controlar a ingestão de alguns minerais ou eletrólitos.
Quem possui doença renal diagnosticada deve seguir a orientação individualizada do médico ou nutricionista.
Aqui existe uma diferença importante entre fazer mal ao esôfago e provocar sintomas desagradáveis.
As bolhas presentes na água gaseificada podem aumentar a distensão do estômago e favorecer arrotos. Em algumas pessoas, isso pode facilitar o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago e intensificar sintomas como azia e queimação.
Por isso, quem sofre frequentemente com refluxo gastroesofágico pode perceber que a água com gás piora o desconforto. No entanto, isso não significa que a bebida seja prejudicial para todas as pessoas.
Então, se você toma água gaseificada e não apresenta sintomas, não há motivo automático para eliminá-la da rotina. A melhor referência, nesse caso, é a própria resposta do organismo.
Essa afirmação precisa ser vista com cautela.
O gás pode estimular a sensação de distensão no estômago e provocar arrotos, o que algumas pessoas interpretam como uma melhora da digestão. Além disso, a sensação de estômago cheio pode contribuir para uma saciedade momentânea.
No entanto, isso não significa que a água com gás seja um tratamento para problemas digestivos.
Para algumas pessoas, a bebida pode até causar o efeito contrário, aumentando a sensação de estufamento, gases e desconforto abdominal. Quem tem intestino sensível, síndrome do intestino irritável ou tendência à distensão abdominal pode perceber maior incômodo após consumir bebidas gaseificadas.
Esse é outro ponto que costuma gerar confusão.
A água gaseificada apresenta uma acidez maior do que a água natural devido à formação de ácido carbônico durante o processo de carbonatação. Mesmo assim, a água com gás pura costuma ser muito menos agressiva aos dentes do que refrigerantes e outras bebidas ácidas e açucaradas.
O grande problema para o esmalte dentário aparece quando a bebida combina acidez elevada com açúcar, como acontece em muitos refrigerantes.
Contudo, não significa que toda água gaseificada seja igual. Produtos com sabores, açúcar, adoçantes ou outros ingredientes podem ter características diferentes da água com gás pura. Por isso, se a preocupação é proteger os dentes, vale conferir o rótulo e priorizar versões simples, sem açúcar e sem aditivos desnecessários.
A ideia de que as bolhas da água gaseificada poderiam provocar hipertensão permanente também não encontra respaldo para pessoas saudáveis.
Algumas situações específicas podem causar alterações temporárias na pressão arterial, como o consumo de bebidas muito geladas ou determinadas respostas individuais do organismo. Isso, porém, é diferente de afirmar que beber água com gás regularmente provoque hipertensão.
O principal cuidado está, novamente, na composição da bebida.
Algumas águas minerais gaseificadas podem apresentar quantidades relevantes de sódio. Para pessoas que precisam controlar a ingestão desse mineral, como indivíduos com determinadas condições cardiovasculares ou renais, é importante observar o rótulo e conversar com um profissional de saúde.
Para a maioria dos adultos saudáveis, água com gás pura pode ser consumida diariamente e ajuda na hidratação.
Os principais problemas associados à bebida geralmente aparecem quando ela é confundida com refrigerantes ou quando o consumo provoca sintomas individuais, como azia, refluxo, gases e distensão abdominal.
A diferença está justamente na composição: água com gás pura não é a mesma coisa que uma bebida gaseificada cheia de açúcar e aditivos.
Portanto, se você gosta de água com gás e não sente desconforto depois de consumi-la, não existe motivo para acreditar que as bolhas, por si só, estejam prejudicando seus ossos, rins ou pressão arterial.
Por outro lado, se a bebida provoca queimação, estufamento ou outros sintomas frequentes, vale reduzir o consumo e observar se há melhora. E, diante de sintomas persistentes, o ideal é procurar avaliação médica.
Imagem de Capa: Sábias Palavras
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