A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou recentemente as orientações sobre o consumo de creatina no Brasil, refletindo o avanço das pesquisas científicas sobre esse suplemento amplamente utilizado.
A mudança foi oficializada por meio da Instrução Normativa nº 373/2025, que elevou o limite máximo recomendado de ingestão diária para adultos de 3 gramas para 5 gramas em pessoas com mais de 19 anos.
Essa atualização representa um passo importante na regulamentação dos suplementos alimentares e acompanha o consenso crescente da ciência sobre a segurança e os benefícios da creatina quando utilizada de forma adequada.
Durante muitos anos, a Creatina ficou conhecida principalmente como um suplemento utilizado por atletas e praticantes de musculação para melhorar força e desempenho físico. No entanto, nas últimas duas décadas, pesquisas científicas ampliaram significativamente a compreensão sobre seus efeitos no organismo.
Estudos publicados em revistas científicas como Nutrients e Journal of the International Society of Sports Nutrition mostram que a creatina desempenha um papel essencial na produção de energia celular, especialmente em tecidos que demandam muita energia, como músculos e cérebro.
Segundo revisões científicas recentes, a suplementação de creatina pode contribuir para:
Esses resultados fizeram com que o suplemento passasse a ser estudado não apenas no contexto esportivo, mas também em áreas como envelhecimento saudável, neurologia e reabilitação física.
Com base em evidências científicas acumuladas ao longo dos últimos anos, a Anvisa revisou os limites regulatórios para a substância. A atualização estabeleceu que suplementos destinados a adultos podem conter até 5.000 mg (5 g) de creatina por porção diária, valor considerado seguro para indivíduos saudáveis.
O limite anterior, de 3 g por dia, era visto por muitos especialistas como conservador em comparação com recomendações internacionais. A nova regra aproxima o Brasil das orientações adotadas por entidades científicas e organizações de nutrição esportiva em outros países.
Uma das áreas que mais tem despertado interesse dos pesquisadores é o papel da creatina no combate à perda de massa muscular relacionada ao envelhecimento — condição conhecida como sarcopenia.
Pesquisas indicam que a combinação de treinamento de resistência e suplementação de creatina pode ajudar a preservar força e funcionalidade em adultos mais velhos. Isso é particularmente relevante porque a perda muscular está associada à redução da autonomia, maior risco de quedas e pior qualidade de vida.
Além disso, alguns estudos investigam possíveis benefícios da creatina para o cérebro, já que o composto também participa da produção de energia em células nervosas. Embora essa área ainda esteja em desenvolvimento, os resultados iniciais sugerem que a substância pode ter impacto positivo na saúde neurológica e na fadiga mental.
Apesar dos benefícios apontados pela ciência, especialistas reforçam que a suplementação deve sempre ser feita com orientação de profissionais de saúde, especialmente em pessoas com doenças renais ou outras condições médicas.
A creatina é considerada um dos suplementos mais estudados do mundo, com centenas de pesquisas analisando seus efeitos. Ainda assim, o uso responsável e dentro das doses recomendadas continua sendo fundamental para garantir segurança e eficácia.
Com base em evidências científicas cada vez mais sólidas, estratégias nutricionais inteligentes — como o uso adequado de creatina — podem contribuir para mais autonomia, força e bem-estar ao longo da vida.
Imagem de Capa: Canva
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