Infelizmente, durante anos, comportamentos abusivos foram normalizados dentro de relacionamentos. Frases como “isso é coisa de casal”, “é só ciúme” ou “ele faz porque se preocupa” ajudaram a silenciar dores profundas e a manter muitas mulheres presas a relações adoecedoras.
No entanto, finalmente esse cenário começou a mudar de forma concreta. A violência psicológica contra a mulher passou a ser crime no Brasil, com previsão de pena de prisão. E entender isso é fundamental para reconhecer abusos e buscar ajuda.
Com a Lei nº 14.188/2021, o Código Penal passou a tipificar a violência psicológica contra a mulher como crime. A legislação define esse tipo de violência como qualquer conduta que cause dano emocional, prejuízo à autoestima ou que tenha como objetivo controlar ações, comportamentos, crenças ou decisões da vítima.
Na prática, isso inclui atitudes como:
Esses comportamentos não são “drama”, “exagero” ou “problema de relacionamento”. São violência psicológica.
Quando ocorre uma violação física, notamos claramente os hematomas, já no caso da violência psicológica, os efeitos são mais profundos e duradouros. Ansiedade, depressão, medo constante, confusão mental, perda de identidade e sensação de culpa são consequências comuns.
De acordo com especialistas em saúde mental, esse tipo de violência pode ser tão ou mais destrutivo do que a física, justamente por agir de forma silenciosa e contínua.
Um ponto essencial da nova legislação é claro: a mulher não precisa esperar apanhar para pedir ajuda. O crime se configura pelo impacto emocional e pelo controle exercido, não pela existência de lesões corporais.
Isso representa um avanço importante, pois reconhece que o sofrimento psicológico também viola direitos e compromete a dignidade da vítima.
A pena prevista para o crime de violência psicológica contra a mulher é de 6 meses a 2 anos de prisão, além de multa. A lei também fortalece medidas protetivas e mecanismos de proteção, permitindo uma atuação mais rápida do Estado.
O objetivo não é apenas punir, mas interromper ciclos de abuso antes que eles evoluam para formas ainda mais graves de violência.
Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos porque aprenderam, desde cedo, a minimizar a própria dor. A lei deixa claro: tirar a liberdade, manipular emoções e destruir a autoestima de alguém não é amor, é crime.
Então, se você vive algo parecido, saiba que seus sentimentos são válidos. Se você conhece uma mulher passando por isso, compartilhar informação pode ser o primeiro passo para quebrar o silêncio.
Hoje, existe lei. Existe reconhecimento. E existem redes de apoio. Buscar ajuda não é fraqueza, é proteção.
Violência psicológica não é normal, não é aceitável e não precisa mais ser invisível. Informação é uma forma de cuidado — e, muitas vezes, de sobrevivência.
Imagem de Capa: Canva
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