Quando falamos de emoções, é quase automático pensar no coração. Dizemos que “o coração dispara”, “partiu o coração”, “o coração está apertado”. Apesar do valor simbólico que o coração ganha na linguagem emocional, a ciência mostra que não é ele, mas sim outro órgão, o mais sensível às nossas emoções.
O corpo humano é uma máquina incrivelmente complexa, trabalhando 24 horas por dia para manter o equilíbrio interno. Enquanto pensamos que o coração reage às emoções, o que realmente acontece é que é o estômago que mais evidencia os efeitos emocionais no corpo.
Essa conexão entre mente e sistema digestivo é tão real que pesquisadores agora usam o termo “segundo cérebro” para descrever o sistema nervoso entérico que reveste o trato gastrointestinal.
O estômago está diretamente conectado ao cérebro por um conjunto de nervos conhecido como eixo cérebro-intestino. Essa rede de comunicação bidirecional permite que pensamentos, medos e estresse influenciem diretamente a função digestiva.
Quando sentimos ansiedade ou nervosismo, o corpo ativa a resposta de luta ou fuga, liberando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa reação pode afetar:
Essas mudanças explicam sensações comuns como “borboletas no estômago”, náuseas, dor ou mesmo diarreia em situações de estresse intenso.
Um estudo publicado na revista Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology explica como o eixo cérebro-intestino funciona e como o estresse emocional pode alterar a fisiologia digestiva, contribuindo para sintomas gastrointestinais mesmo sem doença física evidente.
O estômago e os intestinos não dependem apenas do cérebro para suas funções. Eles têm seu próprio sistema nervoso — o sistema nervoso entérico (SNE) — com cerca de 100 milhões de neurônios, mais do que a medula espinhal.
Esse sistema atua quase como um “cérebro independente” que pode enviar sinais ao cérebro principal e receber deles, influenciando humor e comportamento.
Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh demonstraram que alterações no microbioma intestinal podem afetar a produção de neurotransmissores, como a serotonina, que tem papel fundamental na regulação do humor. Cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no trato gastrointestinal, não no cérebro.
As sensações que chamamos de “nervoso no estômago” têm base real. Quando estamos ansiosos, estressados ou emocionalmente abalados, o cérebro envia sinais através do nervo vago para o sistema digestivo, afetando sua função. Essas respostas podem incluir:
Esses sintomas são tão comuns que médicos e psicólogos já reconhecem a ligação entre saúde mental e saúde digestiva. Um estudo explica exatamente como o estresse altera a comunicação entre cérebro e intestino, afetando função gastrointestinal mesmo em indivíduos saudáveis.
Romantizamos o coração como símbolo das emoções, mas é o estômago que literalmente “sente” o impacto emocional de forma mais direta e mensurável.
A ligação entre o cérebro e o sistema digestivo é tão profunda que um desconforto emocional pode facilmente se manifestar como um sintoma físico no estômago.
Entender essa conexão não só nos ajuda a interpretar nossos próprios corpos com mais clareza, como também mostra como a saúde física e mental estão interligadas de forma inseparável.
Imagem de Capa: Canva
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