Reflexão

Quem tem Deus no coração, tem Deus nas atitudes

Por mais incrível que pareça, existem pessoas que usam a religião como véu para esconder um caráter maligno e egocêntrico. Então, elas vão à Igreja, rezam o terço, falam de Jesus, mas, de forma alguma, seguem suas atitudes. É muito fácil falar lindas palavras sobre Deus e defender sua crença. Difícil mesmo é calar diante de uma ofensa ou entregar uma injustiça na mão Dele sem ao menos desejar o pior para o próximo em um amargo desejo vingança.

Mais fácil ainda é elevar as mãos ao céu, em louvor. Mas quando você precisa que lhe estendam a mão, fazem-se de desentendidos. No dia que você precisa de ajuda, amigos e familiares fingem-se de ocupados e ignoram seus áudios no WhatsApp.

“(…) ficar feliz com a sua graça alcançada, por suas conquistas e realizações, pode ser uma dura tarefa para os corações enganados.”

Não exige muito deles pedir graças a Deus. Agora, ficar feliz com a sua graça alcançada, por suas conquistas e realizações, pode ser uma dura tarefa para os corações enganados. Ter empatia para com a sua dor, às vezes, é um trabalho árduo mesmo para quem se diz filho do Rei.

Levantar cedo para ir a Igreja parece natural, porém, para ir até você quando está necessitado, acompanhá-lo ao médico ou em qualquer momento delicado, falta espaço na agenda deles. Algumas pessoas dizem “Senhor, sou teu servo”, mas quando chega a hora de trabalhar pelo bem de quem está ao redor, estas palavras são esquecidas, como se trabalhar para as pessoas que estimam não fosse servir a Ele. Escutar a voz de Deus, é incrivelmente fantástico, mas para ouvir a dor de um amigo que se encontra em depressão ou terminou um relacionamento parece que falta ouvidos a eles. Escutar o lamento de um familiar que passa por dificuldade é chato e uma grande perda de tempo.

As pessoas se dispõem a fazer sacrifícios em nome do Senhor, que não precisa delas para nada porque já é onipotente em sua força infinita, mas quando é para ajudar alguém que se importa, como você se importa com eles, esse sacrifício vira tortura, estão cansados e sem tempo.

É fácil ficar em jejum em nome de Deus, difícil é dar um prato de comida a quem passa fome, seja por suas limitações físicas ou por suas dificuldades mentais e comportamentais. É fácil participar da campanha de alimentos da Igreja entregando um quilo de arroz, difícil é bater à porta de quem precisa e oferecer-lhe mais do que alimento.

“É muito bom amar Jesus, o homem mais benevolente que já pisou na Terra. Difícil é aceitar a imperfeição dos pais, irmãos e amigos.”

Quantas pessoas se reúnem para uma missa ou culto? Mas muitas delas se afastam na hora que a união pode fazer a força para que o bem vença o mal, para que uma vida seja salva, para que uma família seja retirada da dificuldade ou para que um sonho seja realizado. É muito bom amar Jesus, o homem mais benevolente que já pisou na Terra. Difícil é aceitar a imperfeição dos pais, irmãos e amigos. É fácil doar na igreja, mas quando eles têm de ajudar uma pessoa difícil, problemática, no caminho da perdição, suas atitudes não correspondem a desse mesmo Jesus.

Eles pedem perdão aos céus pelos seus pecados e limitações, mas no minuto seguinte julgam você com arrogância e preconceito se mostrando incapazes de aceitar os defeitos dos outros, ignorando que todos foram feitos exatamente à vontade desse Deus, que nos deu o livre arbítrio. Eles insistem em condenar, confirmando que Suas ideias não estão em seus comportamentos. Fecham os olhos para rezar em nome do Senhor, e muitas vezes ficam cegos pelo egoísmo, pela ganância ou pela avareza, ignorando os problemas alheios e fazendo da religião um falso álibi para uma bondade que na verdade não existe.

E não adianta tentarem enganar, porque enquanto não tiverem Deus em suas atitudes, na forma de compreender o outro e o mundo, jamais terão Deus, verdadeiramente, em seus corações, e Ele sempre saberá…

Por: Luciano Cazz – Inspirando Luz

Imagem de capa: Helena Lopes no Pexels

Luciano Cazz

Ator e escritor. Autor do livro "A tempestade depois do arco-íris"e do blog Inspirando Luz.

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