Para muitas pessoas nascidas nos anos 90, a ideia de ter filhos não desperta empolgação — mas ansiedade, medo e até rejeição.
Diferente das gerações anteriores, que viam a maternidade e a paternidade como etapas naturais da vida adulta, essa geração questiona, adia ou simplesmente descarta esse caminho. Mas por quê? A psicologia tem algumas respostas bastante claras — e elas vão muito além de “falta de vontade”.
Um dos principais fatores está na percepção distorcida da própria fase de vida. Muitos adultos da geração dos anos 90 não se enxergam como adultos completos. Mesmo com trabalho, responsabilidades e contas para pagar, ainda se sentem emocionalmente próximos da adolescência.
A sensação constante é de “não estar pronto”, como se a vida adulta fosse algo que ainda vai começar — mesmo quando ela já está acontecendo.
Segundo a psicologia do desenvolvimento, isso está ligado ao conceito de adultescência, um estado prolongado entre juventude e maturidade. Essa geração cresceu ouvindo que deveria “aproveitar a vida”, “se encontrar”, “curtir a liberdade”.
O problema é que esse discurso nunca teve um ponto final claro. Resultado: muitos chegam aos 30 e poucos anos sentindo que ainda não viveram o suficiente para assumir um compromisso tão definitivo quanto ter filhos.
Outro ponto central é o medo da instabilidade. A geração dos anos 90 cresceu em meio a crises econômicas, instabilidade no mercado de trabalho, aumento do custo de vida e insegurança financeira constante.
Para a psicologia, o cérebro associa parentalidade à responsabilidade extrema. Se já é difícil sustentar a própria vida, a ideia de sustentar uma criança soa esmagadora. Não é falta de amor ou egoísmo — é sobrevivência emocional.
Há também um cansaço psicológico coletivo. Muitos adultos dessa geração relatam exaustão crônica, ansiedade elevada e sensação de sobrecarga constante. A parentalidade, nesse cenário, é vista como mais uma demanda em uma rotina já no limite. A pergunta que surge não é “quero ser pai ou mãe?”, mas “eu aguentaria mais isso?”.
Além disso, a geração dos anos 90 teve acesso sem precedentes à informação. Viu de perto relatos reais sobre maternidade exaustiva, sobrecarga emocional, relações desiguais e perda de identidade. Diferente do passado, em que essas dificuldades eram silenciadas, hoje elas são debatidas abertamente — e isso assusta.
A psicologia também aponta o medo de repetir padrões familiares. Muitos cresceram em lares emocionalmente instáveis, com pais ausentes, sobrecarregados ou infelizes. O receio de reproduzir essas feridas faz com que a decisão de ter filhos seja adiada indefinidamente — ou descartada.
No fundo, o medo de ter filhos na geração dos anos 90 não é imaturidade. É consciência. É questionamento. É o reflexo de uma geração que não quer repetir erros, que sente o peso do mundo e que entende que criar uma vida exige mais do que amor — exige estrutura emocional, financeira e psicológica.
Talvez o verdadeiro dilema não seja “por que eles não querem ter filhos”, mas sim em que tipo de mundo eles foram obrigados a crescer.
Imagem de Capa: Reprodução HBO Max
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