A rotina de skincare virou quase um ritual diário para muitas pessoas. Séruns, ácidos, esfoliantes, máscaras, tônicos e hidratantes prometem pele perfeita — e as redes sociais ajudaram a transformar o autocuidado em tendência global.
Mas existe uma pergunta que pouca gente faz: quais são os reais perigos dos produtos de skincare? Em situações extremamente raras, a resposta pode ser alarmante.
A ciência mostra que cosméticos são, em geral, seguros quando usados corretamente. No entanto, como qualquer substância que entra em contato com o organismo, eles podem desencadear reações adversas. A mais grave delas é o Síndrome de Stevens-Johnson, uma condição imunológica rara e potencialmente fatal.
Segundo dados publicados em revistas médicas como The New England Journal of Medicine e relatórios da Organização Mundial da Saúde, o Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) tem incidência estimada entre 1 a 6 casos por milhão de pessoas por ano.
A condição é mais frequentemente associada a medicamentos orais, como antibióticos e anticonvulsivantes. Desta forma, casos ligados a cosméticos são descritos na literatura médica, mas são extremamente incomuns.
O que acontece no organismo é uma resposta imunológica descontrolada. O sistema imunitário passa a atacar células da própria pele, levando à necrose da epiderme — a camada superficial da pele.
Clinicamente, os sintomas iniciais incluem febre, mal-estar, dores musculares e sinais semelhantes aos de gripe. Em seguida, surgem manchas avermelhadas ou arroxeadas que evoluem rapidamente para bolhas dolorosas e descamação extensa, afetando pele e mucosas, incluindo boca e região genital.
Em casos graves, os pacientes precisam de tratamento semelhante ao de vítimas de queimaduras, com suporte hospitalar intensivo. A taxa de mortalidade pode variar entre 5% e 30%, dependendo da extensão e da rapidez do tratamento.
Apesar do impacto dramático, é essencial reforçar: trata-se de um evento raríssimo no contexto de cosméticos tópicos, mas o risco existe.
Muito mais comuns — embora ainda pouco discutidas — são as dermatites de contato alérgicas. Estudos publicados no Journal of the American Academy of Dermatology indicam que fragrâncias e conservantes estão entre os principais desencadeadores.
Diferente das reações imediatas, essas alergias podem aparecer horas ou dias após a aplicação do produto, dificultando a identificação da causa. Os sintomas incluem vermelhidão, coceira, pequenas bolhas, descamação e inchaço.
Outro risco crescente está relacionado ao uso excessivo e inadequado de produtos. A chamada “overdose cosmética”, impulsionada por tendências virais, pode comprometer a barreira cutânea.
Quando a pele perde sua função protetora natural, torna-se mais vulnerável a irritações, infeções e sensibilizações futuras. Ingredientes como ácidos esfoliantes, retinóides e óleos essenciais, embora eficazes, exigem uso orientado.
Não existe um “ingrediente vilão” universal. O risco depende da predisposição individual, da integridade da pele e da combinação de produtos utilizados. Pessoas com histórico de alergias cutâneas, dermatite atópica ou pele sensibilizada apresentam maior probabilidade de desenvolver reações.
A conclusão é direta: skincare não é inofensivo por definição, mas também não é um inimigo oculto. A diferença está na informação e no uso responsável. Antes de seguir tendências, vale consultar um dermatologista, testar novos produtos em pequenas áreas da pele e evitar misturas agressivas sem orientação profissional.
Cuidar da pele é saudável. Mas cuidar com consciência é essencial.
Imagem de Capa: Canva
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