Em uma tarde de julho de 1973, Linda Ann O’Keefe, de apenas 11 anos, desapareceu enquanto voltava para casa depois de frequentar a escola de verão em Newport Beach, na Califórnia.
Uma testemunha ainda viu a menina conversando com um homem dentro de uma van turquesa. A cena parecia estranha, mas ninguém poderia imaginar que aquele seria o último momento em que Linda seria vista com vida.
No dia seguinte, seu corpo foi encontrado em uma região de Back Bay.
Por quatro décadas, o crime permaneceu sem solução. No entanto, conforme o passar dos anos e com os avanços na investigação genética, as autoridades finalmente chegaram ao homem apontado como responsável pelo assassinato.
Era 6 de julho de 1973 quando Linda saiu da escola de verão e começou a voltar para casa. De acordo com os relatos reunidos durante a investigação, pouco antes de desaparecer ela havia telefonado para casa pedindo que alguém fosse buscá-la. Como sua mãe estava ocupada, Linda acabou seguindo seu caminho sozinha.
Por volta das 13h15, uma jovem e sua mãe passaram por uma região próxima à casa da menina e perceberam Linda conversando com um homem que estava em uma van turquesa. A testemunha não imaginou que estivesse presenciando um crime. Anos mais tarde, porém, aquela lembrança se tornaria uma das peças mais importantes da investigação.
Aquele momento foi a última vez que Linda foi vista viva.
Quando a menina não voltou para casa, familiares começaram a procurá-la. As buscas continuaram até que, no dia seguinte, o corpo de Linda foi localizado na região de Back Bay. A investigação apontou que a criança havia sido vítima de um crime brutal. O caso passou a fazer parte dos chamados “cold cases”, crimes antigos que permanecem sem uma solução definitiva durante anos.
Durante décadas, porém, o nome do responsável permaneceu desconhecido.
O assassinato de Linda entrou em um longo período de investigação sem uma identificação conclusiva do autor. Com o passar do tempo, novas tecnologias começaram a transformar a maneira como crimes antigos podiam ser investigados.
A evolução da genética forense e da genealogia genética abriu uma possibilidade que não existia na década de 1970: utilizar vestígios de DNA e informações genéticas de familiares para chegar a possíveis suspeitos. Dessa maneira, mudando completamente o rumo do caso.
Em 2018, investigadores conseguiram avançar na identificação do homem ligado ao crime por meio de técnicas de genealogia genética. O suspeito foi identificado como James Albert Layton Jr., que posteriormente utilizava o nome James Alan Neal.
O Departamento de Justiça do Condado de Orange informou que a investigação contou com técnicas de genealogia genética e colaboração de especialistas e laboratórios especializados.
A descoberta encerrou uma das perguntas que permaneceram durante décadas: quem havia levado Linda naquela tarde de 1973?
A história, porém, teve um desfecho incomum. Embora tenha sido identificado como suspeito décadas depois do crime, James Alan Neal já estava em idade avançada quando as autoridades chegaram até ele. Documentos oficiais indicam que ele foi preso em março de 2019 em conexão com o assassinato de Linda O’Keefe. Contudo, ele morreu posteriormente, ainda sob custódia, antes que o caso pudesse chegar a um julgamento.
Assim, apesar de a investigação ter conseguido identificar o homem ligado ao assassinato, não houve um julgamento criminal que terminasse com uma condenação pelo crime.
O caso de Linda O’Keefe costuma ser associado na internet ao filme “Um Olhar do Paraíso”, adaptação de The Lovely Bones, romance escrito por Alice Sebold e publicado em 2002. A comparação existe porque as duas histórias apresentam elementos semelhantes: uma menina é assassinada e sua morte provoca uma profunda transformação na vida de sua família. Mas é importante separar ficção e realidade.
No livro e no filme, a protagonista é Susie Salmon, uma adolescente de 14 anos assassinada em 1973 por seu vizinho, George Harvey. A história foi criada por Alice Sebold e posteriormente adaptada para o cinema por Peter Jackson.
Algumas publicações afirmam que o caso de Linda teria servido de inspiração para a criação de Susie, enquanto outras fontes destacam que não existem evidências suficientes para afirmar que a obra seja diretamente baseada no assassinato de Linda.
Caso tenha interesse em assistir essa produção, “Um Olhar do Paraíso” está disponível no Prime Video.
O caso Linda O’Keefe também se tornou um exemplo de como investigações antigas podem ganhar novos caminhos com o avanço da ciência.
Em 1973, os investigadores não tinham à disposição as ferramentas de genealogia genética que existem atualmente. Décadas depois, técnicas modernas permitiram que uma investigação aparentemente sem saída encontrasse uma nova direção.
Para a família e para as pessoas que acompanharam o caso, entretanto, o tempo não apagou a pergunta que permaneceu durante décadas.
Imagem de Capa: Divulgação Família O’Keefe/ Reprodução
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