Alguns filmes não fracassam por falta de qualidade, fracassam porque ninguém soube explicá-los ao público certo. “O Bom Bandido” é exatamente esse caso.
Lançado discretamente nos cinemas, o longa encontrou no streaming o espaço ideal para se tornar um dos títulos mais comentados de 2025, provando que o sofá de casa pode ser mais justo do que a bilheteria.
Dirigido por Derek Cianfrance, o filme foge das regras tradicionais do cinema de assalto e entrega algo mais raro: um drama criminal íntimo, humano e silenciosamente perturbador.
Nos cinemas, cercado por produções barulhentas, cortes acelerados e narrativas fáceis, “O Bom Bandido” parecia deslocado. O filme não quer adrenalina constante. Ele quer observação, pausa e desconforto.
No streaming, esse ritmo se transforma em virtude. Assistido sem distrações externas, o espectador entra no tempo do personagem, compreende seus silêncios e absorve a melancolia que sustenta a narrativa.
O resultado? Um crescimento orgânico de audiência, comentários positivos e uma redescoberta crítica que o cinema tradicional não ofereceu.
Na trama, baseada em fatos reais, acompanhamos Jeffrey Manchester, um assaltante conhecido por invadir restaurantes pelo telhado. A proposta poderia facilmente virar um thriller estilizado, mas Cianfrance faz o oposto.
Os roubos não são espetáculo. A câmera prioriza o cansaço, o medo e a precariedade. Cada ação revela mais desespero do que genialidade. O crime surge como sintoma de inadequação social, não como aventura.
Essa escolha narrativa transforma o filme em um estudo de personagem disfarçado de drama policial.
Nesta produção, Channing Tatum, conhecido pelo seu carisma, abandona qualquer vestígio dele. O ator constrói um protagonista contraditório: simpático, educado, socialmente funcional e, ao mesmo tempo, incapaz de viver dentro das regras.
O ator trabalha com contenção. Pequenos gestos, olhares longos e silêncio dizem mais do que diálogos inteiros. Em diversas cenas, o espectador entende o personagem antes mesmo de julgá-lo.
É uma performance que reposiciona Tatum como um ator dramático de peso, não apenas uma estrela carismática.
Mesmo com participações pontuais, o elenco secundário sustenta o tom realista. Não há caricaturas, nem antagonistas óbvios. Todos parecem pessoas comuns presas em sistemas maiores do que elas.
Esse equilíbrio evita julgamentos fáceis e mantém a narrativa sempre no campo da ambiguidade moral.
O “Bom Bandido” não é um filme para quem busca ação incessante ou respostas prontas. Ele conversa com quem aprecia cinema adulto, personagens falhos e histórias que permanecem após os créditos.
O streaming deu ao filme aquilo que o cinema não ofereceu: tempo, atenção e público certo.
Então, se 2025 provou algo, é que alguns dos melhores filmes do ano não estouram na estreia, eles amadurecem em silêncio. O filme está disponível no Paramount+, com opções de aluguel e compra em plataformas digitais.
Imagem de Capa: Reprodução
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