Reflexão

Estávamos ficando mais inteligentes e a internet nos deixou mentalmente mais preguiçosos

Já parou para pensar em como a internet afeta nosso cérebro? Seria quase ingênuo não considerar o desaceleramento de forma lenta e progressiva que a nossa mente vem sofrendo. Como não levar em conta a plasticidade cerebral que nos concede a capacidade adaptativa, mas que também vem nos fazendo perder a capacidade de cognição?

Jamais na história da humanidade, houve tanta facilidade de acesso à informação.

Mas, o que teoricamente faria com que as pessoas aumentassem o potencial de inteligência na verdade injeta pequenas doses de informação e geram a falsa impressão de informação. Não há lugar para o aprofundamento. Cada vez mais atarefados, consumimos tanta informação que, às vezes, ela nem é absorvida em sua plenitude ou pior, absorvida de forma distorcida. E pode até não ser uma questão de preguiça, o cérebro já se modificou para conseguir sobreviver a tempo da informação.

É uma característica da nova era. Até a idade contemporânea, havíamos evoluímos de forma mais natural, de acordo com o universo. Com o surgimento da internet e todas as suas consequências, somos obrigados a armazenar mais informações do que de fato poderíamos. A receita não fecha e o resultado é um ‘delay’.

Há dificuldade em processar tudo. Ficamos mentalmente preguiçosos. Já transpomos o limite natural da nossa mente. A memória da máquina cérebro é limitada. E é por isso que hoje, nossa mente usa a internet como uma espécie de HD externo. Existe uma uma dependência clara das nas informações armazenadas na internet, que já não são retidas na nossa mente pois existe a segurança de que elas podem ser acessadas a qualquer momento e em qualquer lugar. E a tendência é que o limite de informações que podemos receber e processar, seja cada vez maior, aumentando ainda mais o descarte de detalhes e informações.

É por isso que vocabulários, endereços e nomes já não nos vem à mente com facilidade. Esse é um dos efeitos colaterais que têm reforçado a dependência e submissão existente na população conectada.

Aos poucos nossa capacidade de cognição vem sendo minada e assim, pensamos cada vez mais com uma máquina e menos como seres humano.

Não é uma boa perspectiva. É importante destacar que somente os seres humanos são capazes atingir a complexidade e discernimento que a realidade propõe. O diferencial do homem perante as inteligências artificiais é justamente a sua não-linearidade, ou seja, a capacidade de criar e surpreender. E nós somos dotados de algo que a máquina não tem: emoção e cognição.

Nossas abstrações estão sendo modificadas. As singularidade que nos fazem ser diferente de uma máquina, ao poucos vem sendo perdidas e dando lugar a abstrações adoecidas. Somo levados a certeza não saudáveis, a acreditar que o dinheiro é o centro do mundo, que o corpo precisa ser perfeito, que precisamos reproduzir a vida perfeita nas redes sociais. O resultado disso? A busca pelo padrão de sucesso das máquinas vem nos tornando seres depressivo e ansiosos, pelo simples fato de não ser possível dar conta ou reproduzir um ideal que não condiz como a realidade.

Máquina são racionais, seres humanos são subjetivos.

As perdas cognitivas são reais, diversos especialistas e estudiosos vêm alertando quanto a nossa perda na capacidade de compreensão. Não há leitura o suficiente, publicações em papel não são incentivadas, escrevemos cada vez menos. E todo esse processo vem provocando a perda significativa que nós, humanos temos de compreender e entender a realidade. Nesse passo vamos criar uma uma nova forma de vida humana. Não seremos mais Homosapiens, e sim, Homodigitais. São por questões como essa que defendo a necessidade de observar e pensar sobre os comportamento reproduzidos. Assim, é possível nos dar a possibilidade de diminuir as variáveis e ter maior capacidade de prever um comportamento futuro.

O que nos torna especiais perante a tanto outros seres que existem no mundo é a linearidade, a possibilidade ilimitada de opções que temos ao nosso dispor. Ainda temos a capacidade de surpreender, de imaginar… mesmo com razão, possuímos algo que a máquina mesmo que tente, não consegue entender: emoção.

A criatividade e a possibilidade de seguir o caminho que se bem entender, está aí. Resta a nós, cuidar para que a tendência a de imitar inteligências artificiais, não nos descapacite da dádiva de surpreender.

Por: Fabiano de Abreu

Imagem de capa: Run Away no Pexels

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99 sendo considerado um dos maiores do mundo.

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