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Confesso… (mas não te quero de volta!)

Confesso que por vezes dou comigo a pensar em ti, em nós, a pensar em todo o amor que te dediquei, em todas as juras que me fizeste, em todos os sonhos que sonhamos concretizar.

Confesso que guardei a nossa fotografia na gaveta, mas ainda assim todas as manhas quando acordo a olho com saudade. Confesso que pela madrugada na minha cama fria ainda procuro o teu aconchego, o teu calor.

Confesso que ainda escuto a nossa música e sou capaz de sentir todas as borboletas na barriga que senti na primeira vez que dançamos abraçados.

Confesso que quando o medo impede-me de agir eu desespero pelo teu abraço apertado que em tempos, me dava forças para prosseguir.

Confesso que às vezes passo os dedos sobre os meus lábios e posso sentir o gosto agridoce do teu beijo, o gosto de morango da kletsmisturado com o malboro. Confesso que ainda durmo com a tua camisola, o teu cheiro nela permaneceu e nas horas de mais solidão, apertada contra o meu peito, eu sinto-te perto de mim.

Confesso que me emociono sempre que na rua me cruzo com casais felizes e penso que um dia estive naquele lugar de mãos dadas com o meu amor e sou tentada a imaginar como seria se ainda estivesses comigo.

Confesso que não me recordo da última vez que me sentei no sofá a ver um filme, tudo perdeu a graça, era bom deitar a cabeça sobre o teu peito e encher-te de perguntas e hoje dói sentar sem te dar a mão, comer pipocas sem ter com quem as partilhar, ficar no silêncio sem ter a quem questionar.

Confesso que à noite é difícil adormecer, tu protegias-me como uma mãe que protege o seu bebé das coisas más e hoje estou vulnerável a todas essas coisas.

Confesso que queria voltar atrás, parar o tempo só para não te deixar fugir de mim.

Confesso que sair para passear e gastar todo o dinheiro em roupas é hoje um martírio por não te ter a resmungar que os armários estão cheios e até de trapos fico bem.

Confesso que ganhei medo aos espelhos, outrora estavas ao meu lado, e sempre que eu me desvalorizava tu dizias eu amo-te assim, tu és linda, és incrível exactamente como és, hoje visto-me de qualquer jeito e além de ter partido todos os espelhos que haviam em casa, ainda fujo dos que vejo pela rua para não encarar aquilo que me tornei após a tua partida.

Confesso que deixei desmoronar todos os meus sonhos.

Confesso que percorrer a casa vazia, olhar todos os recantos e não encontrar-te presente, mas sentir-te em tudo e pensar que te foste é a pior sensação do mundo.

Confesso que estas lágrimas e esta dor têm dado cabo de mim. Confesso que ainda te tenho mais amor do que antes.

Confesso que voltar aos lugares onde outrora estivemos juntos, dói, todavia de certa forma até me faz bem, pois encontro-te sem te encontrar.

Confesso que dava tudo para te ter de volta, a partilhar alegrias e tristezas, beijos, abraços e até a resmungar.

Confesso que cada dia sem ti é como olhar o céu sob uma tempestade, que cada um magoa mais do que outro e é igual a todos os que já se passaram.

Confesso que perco o chão a cada passo que dou, que não tenho mais porto seguro e ando à deriva neste imenso mar de solidão.

Confesso que perdi completamente a noção do tempo e a direção, mas prometi a mim mesma que hei-de encontrar um caminho que me leve a recuperar de novo a mulher que um dia fui.

Confesso que nunca parei de te amar. Confesso que te amo e esquecer-te parece impossível… Mas não te quero de volta!

Por: Leticia Brito

Sábias Palavras

Relaxa, dá largas à tua imaginação, identifica-te!

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