O Alzheimer sempre foi considerado uma doença neurodegenerativa ligada ao envelhecimento, fatores genéticos e estilo de vida. No entanto, recentes pesquisas revelam um nova hipótese: e se a doença não for apenas degenerativa, mas também infecciosa?
Um estudo realizado pela Universidade de Louisville, encontrou nos cérebros de pacientes com Alzheimer a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis, conhecida por causar doença periodontal (gengivite e periodontite).
O mais impressionante é que ela não estava inativa. Dessa maneira, ela produz toxinas capazes de danificar neurônios, gerar inflamação e favorecer o acúmulo de placas beta-amiloides e emaranhados de proteína tau — duas das principais marcas do Alzheimer.
Ainda mais alarmante: essas toxinas também foram detectadas em cérebros de pessoas sem diagnóstico de Alzheimer, sugerindo que a infecção pode preceder os sintomas e até desencadear a doença.
Embora a descoberta da P. gingivalis tenha chamado atenção, ela não é a única sob investigação. Outros agentes infecciosos também podem estar ligados ao Alzheimer:
Portanto, em todos os casos, há um fator comum: a neuroinflamação crônica. Alguns cientistas já sugerem que as placas amiloides talvez não sejam “lixo cerebral”, mas sim uma resposta de defesa contra microrganismos invasores.
Se a hipótese infecciosa for confirmada, a prevenção contra o Alzheimer poderá ir muito além de exercícios cognitivos e alimentação saudável. Ela incluiria também cuidados com a microbiota bucal e intestinal:
A comparação com a úlcera gástrica é inevitável: durante décadas, acreditava-se que era causada apenas por estresse, até que a ciência identificou a bactéria Helicobacter pylori como um fator central.
Da mesma forma, talvez o Alzheimer seja, em parte, consequência de infecções silenciosas que inflamam o cérebro ao longo dos anos, corroendo a memória e a identidade das pessoas.
O que parecia apenas um problema de envelhecimento pode ter raízes muito mais complexas. A boca pode ser a porta de entrada para os microrganismos que destroem neurônios, e cuidar da saúde bucal pode ser um passo essencial na prevenção da demência.
Mais do que nunca, pesquisas apontam que memória e saúde cerebral começam na boca e no intestino. O futuro da prevenção e do tratamento do Alzheimer pode estar escondido onde menos imaginamos.
Imagem de Capa: Canva
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